A distinção entre as chamadas maratonas Classics e as Majors é sobretudo uma questão de estatuto competitivo, dimensão internacional e grau de exigência no acesso.
As World Marathon Majors, atualmente conhecidas como Abbott World Marathon Majors, constituem o circuito mais prestigiado da maratona mundial. Integram sete provas: Maratona de Boston, Maratona de Londres, Maratona de Berlim, Maratona de Chicago, Maratona de Nova Iorque, Maratona de Tóquio e Maratona de Sydney. Estas corridas concentram a elite mundial, distribuem prémios elevados e são palco frequente de recordes do mundo. Além da vertente competitiva, existe um sistema de pontuação anual para os melhores atletas e a atribuição da medalha Six/Seven Star Finisher a quem completa todas as provas do circuito.
Entrar numa Major é, para a maioria dos corredores, um processo exigente e incerto. Em alguns casos, como Boston, é obrigatório cumprir tempos mínimos de qualificação por escalão etário e mesmo assim há cortes adicionais devido ao excesso de candidatos. Noutras provas, como Londres, Nova Iorque ou Tóquio, a maioria das vagas é atribuída por sorteio, com centenas de milhares de inscrições para um número limitado de dorsais, o que reduz drasticamente a probabilidade de seleção. Há ainda vagas associadas a angariação de fundos para instituições de solidariedade, que implicam compromissos financeiros elevados. Para os atletas de elite, o acesso depende de marcas internacionais de topo e convite direto da organização.
Já o European Marathon Classics é um circuito exclusivamente europeu que reúne oito maratonas históricas sob uma lógica de valorização cultural e identidade continental. Entre elas estão, agora, a Maratona de Lisboa, a Maratona de Viena, a Maratona de Madrid, a Maratona de Copenhaga, a Maratona de Roma, a Maratona de Frankfurt, a Maratona de Varsóvia e a própria Maratona de Londres, que funciona como prova-âncora de maior notoriedade.
Ao contrário das Majors, o circuito European Marathon Classics não constitui o topo hierárquico da competição mundial, mas sim uma plataforma europeia que combina desporto, turismo e cultura. O desafio consiste em completar pelo menos cinco das oito provas para obter o estatuto de finisher, não existindo limite temporal para alcançar essa meta. Embora algumas destas maratonas também registem elevada procura, o grau de seletividade tende a ser inferior ao das Majors e, em regra, não exige tempos mínimos tão restritivos.
Em síntese, as Majors representam o vértice competitivo e mediático da maratona global, com acesso altamente competitivo e simbolismo de elite. As Classics configuram um circuito de identidade europeia, mais acessível e orientado para a experiência acumulada ao longo de várias cidades.
Para que uma cidade alcance o topo, a Major, tem também de passar por um rigoroso processo de aprovação e avaliação, atendendo a variadíssimos critérios e este processo pode demorar vários anos. Alguns dos critérios são o facto da maratona precisar atrair corredores de elite e amadores de todo o mundo, aumentando o número de finalistas de um ano para o outro, práticas sustentáveis e compromisso com a inclusão de corredores de todos os níveis, devendo a cidade ser também capaz de receber dezenas de milhares de corredores, além de turistas, oferecendo infraestrutura hoteleira e de transporte.
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