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Natural de Amarante, no distrito do Porto, Jorge Pinto nasceu em 1987, já em democracia — um contraste que sublinha quando explica uma das motivações simbólicas da sua candidatura. A “musa” que o inspira tem 99 anos: a avó Micas, mulher marcada por uma vida de dificuldades, nascida pouco depois do golpe militar que pôs fim à Primeira República e que só conheceu a democracia a meio da vida, disse em entrevista à SIC. É em nome dessa geração e das que se seguem que o candidato do Livre diz querer ser um “Presidente Presente”.

Licenciado em Engenharia do Ambiente, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Jorge Pinto aprofundou o seu percurso académico na área do pensamento político. Doutorou-se em Filosofia Social e Política, na Universidade do Minho, com uma tese dedicada ao “republicanismo, ecologia e pós-produtivismo”, onde cruza preocupações democráticas com os limites ambientais do crescimento económico.

Dos ensaios à banda desenhada

Autor de vários livros, Jorge Pinto tem desenvolvido uma reflexão consistente sobre liberdade, autonomia e futuro. Em "Rendimento Básico Incondicional – Uma defesa da Liberdade", obra premiada em 2019 pela Sociedade Portuguesa de Filosofia, defende esta mesma medida, uma das bandeiras históricas do Livre, como instrumento de emancipação individual, justiça social e resposta à transição ecológica.

Em "A Liberdade dos Futuros", aprofunda a ideia de que políticas públicas orientadas para a autonomia podem contribuir para sociedades mais justas num planeta sustentável. A par dos ensaios, escreveu também bandas desenhadas e um livro de inspiração autobiográfica, "Também Digo – Uma História de Migrações", baseado nas memórias da avó, Maria do Carmo, e centrado na diáspora portuguesa em França.

Pelo mundo afora

Desde 2008, viveu fora de Portugal em vários países — Lituânia, Índia, França, Itália e Bélgica —, trabalhou nas instituições europeias e fez voluntariado numa associação de apoio a refugiados. Essa ligação aos emigrantes explica a atenção que dedica ao ensino da língua portuguesa no estrangeiro, uma área onde denuncia dificuldades sentidas por jovens portugueses e lusodescendentes no acesso ao ensino do idioma.

Do PS ao Livre

Jorge Pinto esteve ligado ao Partido Socialista entre os 18 e os 25 anos, durante a liderança de José Sócrates, mas acabou por afastar-se. É militante do Livre desde a fundação do partido e integrou o Grupo de Contacto entre 2014 e 2020. Em 2024, foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo do Porto, repetindo o mandato em 2025.

Apesar da relativa falta de notoriedade pública, que reconhece, o candidato acredita que a campanha presidencial e os debates podem equilibrar o terreno, disse ao Expresso. Assume Jorge Sampaio como uma das suas grandes inspirações e define-se como “ecologista, republicano e humanista”, defendendo um Presidente da República que funcione como um verdadeiro contrapeso democrático. Fala num “Portugal da empatia, do amor e da esperança” e numa magistratura de influência que não se limite ao protocolo.

Na estratégia eleitoral, Jorge Pinto não esconde o objetivo de disputar eleitorado à esquerda — do BE, PCP e PS —, mas admite também tentar captar votos entre eleitores descontentes de outros quadrantes, incluindo do Chega. É particularmente duro com André Ventura, a quem chama “traidor à pátria” pelas posições alinhadas com Donald Trump, e assume como prioridade travar uma eventual vitória da extrema-direita, mais do que assegurar um candidato de esquerda na segunda volta.

A entrada na corrida a Belém surge, segundo o próprio, após “muita reflexão” e depois de afastada a hipótese de uma candidatura única e agregadora à esquerda. Para Jorge Pinto, o espaço político que representa — ecologista, progressista, europeísta, regionalista e libertário — não pode ficar de fora de uma eleição presidencial que considera decisiva para o futuro da democracia portuguesa.

Aos 38 anos, é o candidato mais jovem desta disputa e assume essa condição como uma vantagem: diz conjugar energia, experiência internacional e uma visão de futuro assente na justiça social e na sustentabilidade.

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