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A rápida evolução da inteligência artificial e de outras tecnologias emergentes, aliada à crescente complexidade dos modelos de negócio e a um contexto de instabilidade geopolítica e económica, está a redefinir o valor estratégico de inúmeras funções, para as quais o talento qualificado continua a ser escasso. Face a este cenário, as posições mais bem remuneradas este ano destacam-se tanto pelo nível de especialização que exigem, como pelo impacto direto que têm na tomada de decisão, na mitigação de riscos e na criação de valor a médio e longo prazo.

Assim, o ManpowerGroup destaca as profissões mais bem remuneradas em 2026, permitindo refletir sobre as mudanças nas estratégias de atração e retenção de talento e identificar as áreas nas quais os pacotes de benefícios podem ser decisivos e garantir vantagem competitiva.

As cinco profissões mais bem pagas

  • No topo da lista surge o Chief Financial Officer (CFO), com remunerações entre 90 e 150 mil euros anuais. Mais do que gerir o dia a dia financeiro, o CFO assumiu um papel cada vez mais estratégico.

“O CFO atua também como conselheiro do Diretor Executivo e do conselho de administração na tomada de decisões, avaliação de oportunidades de investimento e definição de objetivos financeiros da organização a longo prazo. Estabelece, também, uma relação com investidores e stakeholders financeiros baseada em transparência, rigor e credibilidade.”

Este é um cargo que exige ampla experiência em gestão financeira, formação avançada e competências que vão do reporting compliance à liderança e pensamento estratégico. É um perfil altamente especializado e qualificado, normalmente associado a uma remuneração elevada.

  • Logo a seguir, entre 70 e 150 mil euros anuais, encontram-se os Chief Technology Officer (CTO) e Chief Information Officer (CIO). Num cenário cada vez mais dominado pela tecnologia, estas funções tornaram-se essenciais.

“Esta liderança define a visão digital e tecnológica da organização, conduz projetos de modernização, supervisiona sistemas como ERPs e CRM, gere dados, soluções na Cloud, segurança digital e iniciativas de inovação.”

Além de uma sólida base técnica, exigem compreensão do negócio e capacidades de liderança, visão estratégica e comunicação, fundamentais para alinhar tecnologia e objetivos corporativos.

  • Diretor de Engenharia ou Diretor Técnico pode receber entre 90 e 130 mil euros por ano.

“A escassez de perfis seniores com experiência consolidada em liderança técnica continua a influenciar a oferta salarial associada ao cargo de Diretor de Engenharia, ou Diretor Técnico.”

Este profissional é um líder sénior responsável pela visão técnica, estratégia, execução e gestão de equipas e projetos de engenharia. Supervisiona orçamento, prazos e qualidade, combinando elevado know-how técnico com fortes competências de liderança.

Em Portugal, há procura constante por estes perfis, com oportunidades em empresas de diversas dimensões, desde construtoras a multinacionais de tecnologia, com remunerações alinhadas com a experiência e o setor.

  • Com salários entre 75 e 120 mil euros, o Diretor de Investment Banking lidera operações financeiras complexas como fusões e aquisições, IPOs e emissões de dívida.

É responsável pela captação de novos negócios e pela gestão da relação com clientes corporativos e investidores.

“Com um forte foco comercial e estratégico, conduz avaliações e modelação financeira, supervisiona equipas de analistas e banqueiros juniores envolvidos na execução de negócios, para além de garantir a conformidade regulatória.”

Este cargo requer um mínimo de 10 a 15 anos de experiência, combinando expertise técnica e comercial com liderança, resiliência e fortes competências interpessoais para liderar negócios complexos num ambiente de alta pressão. A ampla experiência e especificidade do percurso profissional fazem deste um perfil muito bem remunerado no mercado.

  • Finalmente, o Chief Information Security Officer (CISO) recebe entre 70 e 120 mil euros.

“O Chief Information Security Officer (CISO) garante a segurança da informação de uma organização, protegendo dados, sistemas e infraestruturas contra eventuais ataques cibernéticos. Define a estratégia de cibersegurança e é o responsável por gerir risco, compliance regulatória (NIS2, CRA, ISO 27001), fornecedores e resposta a incidentes.”

O aumento da frequência e sofisticação dos ciberataques, aliado ao reforço crescente da regulamentação de segurança, tem vindo a exigir que as empresas se foquem cada vez mais em procurar perfis capazes de ocupar esta posição de forte responsabilidade legal e reputacional.

Quem mais vai ser valorizado?

A lista das profissões mais bem pagas continua com o Cloud Architect, com remunerações entre 60 e 95 mil euros, responsável por desenhar e gerir infraestruturas cloud em plataformas como AWS, Azure ou Google Cloud; o Engineering Manager, que recebe entre 65 e 90 mil euros e lidera equipas de desenvolvimento, garantindo o alinhamento entre tecnologia e objetivos de negócio; e o Platform Engineer / Site Reliability Engineer, com salários entre 60 e 90 mil euros, focado na fiabilidade, desempenho e eficiência dos sistemas em produção.

Data Engineering Lead, com remunerações entre 60 e 85 mil euros, constrói infraestruturas de dados em grande escala (hoje essenciais num contexto em que os dados são a base da inteligência artificial). Já o Diretor de Logística, que pode ganhar entre 60 e 80 mil euros, supervisiona toda a cadeia de distribuição, com responsabilidade direta na otimização de custos e na eficiência operacional.

A pressão do mercado não incide apenas sobre funções de liderança

O talento técnico e especializado continua altamente valorizado. Mais do que o salário, as organizações reconhecem o papel destes perfis na inovação, eficiência e qualidade”, sublinha Daniela Lourenço, Brand Lead da Manpower.

Entre as profissões técnicas mais procuradas destacam-se o Encarregado de Obra, com salários entre 25,3 e 39,9 mil euros, responsável por coordenar equipas e garantir prazos e segurança; o Técnico de Manutenção ou AVAC, que ganha entre 21,6 e 34,4 mil euros, essencial para assegurar a produtividade das instalações; o Motorista de Pesados Internacional, com remunerações entre 21 e 32,2 mil euros, cuja exigência e riscos justificam salários acima da média; o Mecânico Industrial, entre 25,2 e 29,4 mil euros, com forte procura em setores como o Automóvel e a Energia; e o Programador de CNC, que ganha entre 22,4 e 25,2 mil euros, indispensável em áreas como a metalomecânica e a indústria de moldes. Em todos estes casos, a escassez de profissionais qualificados continua a impulsionar a valorização salarial.

De acordo com o ManpowerGroup, podemos concluir que as empresas portuguesas estão dispostas a pagar bem por talento especializado, mas o dinheiro já não é suficiente. Flexibilidade, autonomia em projetos desafiantes e oportunidades concretas de progressão pesam hoje tanto (ou mais) na decisão dos profissionais mais qualificados.

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