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A Assembleia da República dedicou esta quarta-feira um debate de urgência aos incêndios florestais que já consumiram mais de 250 mil hectares desde o início do verão e provocaram quatro mortos.

O tema foi levado ao plenário por iniciativa do Chega e do PCP, acabando por merecer acordo de todas as bancadas.

O primeiro-ministro abriu o debate com uma mensagem de pesar às vítimas e de reconhecimento aos bombeiros, forças de segurança, autarcas e voluntários.

Luís Montenegro garantiu que o executivo “esteve sempre ao leme” e que a prevenção não foi esquecida, apontando medidas como o reforço dos sapadores florestais, novas operações de gestão da paisagem e mais meios no dispositivo de combate — que classificou como “o maior de sempre”. Admitiu, no entanto, que não foi possível evitar grandes incêndios e sublinhou a necessidade de um plano duradouro para o ordenamento da floresta.

O debate dividiu as bancadas. O PCP acusou o governo de falta de coordenação e defendeu um compromisso de investimento de 3,5% do PIB no mundo rural.

O Chega falou em “incompetência” e exigiu que Luís Montenegro assumisse falhas.

O JPP criticou o “relaxo” do Estado e o PAN lembrou o recorde da área ardida, pedindo mais valorização dos bombeiros e proteção animal.

Do lado do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua acusou o executivo de não ter preparado o verão e de ter cortado investimento na floresta.

O CDS sublinhou o aumento de ocorrências e pediu “mão pesada” contra incendiários.

A Iniciativa Liberal acusou o governo de indecisão e de apostar em planos sem execução.

O Livre apelou a uma reforma estrutural do cadastro florestal e à profissionalização dos bombeiros.

Já o PS criticou a ausência do ministro da Agricultura no debate, lembrou cortes de investimento e acusou Luís Montenegro de insensibilidade por ter participado numa iniciativa partidária enquanto o país ardia.

O PSD defendeu o Governo, lembrando que este preparou “o maior dispositivo de sempre” e que não falhou na proteção das populações.

Na resposta final, Luís Montenegro afastou a lógica de “quem fez mais ou menos” e pediu foco num plano de longo prazo, lembrando que 30 medidas já estão em execução.

O primeiro-ministro reconheceu que pode ter passado a ideia de reação tardia, mas classificou-a como “injusta”. E deixou a promessa: “Não estou aqui para pré-anunciar novas tragédias, mas para as evitar.”

No entanto, o debate terminou como começou — sem conclusões práticas e marcado por trocas de acusações entre bancadas. Se todos concordam na urgência do problema, falta ainda perceber se há vontade política para transformar o consenso em medidas concretas.