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Em Torres Vedras, a sátira política é presença assídua no Carnaval. Este ano, o monumento retrata diversas temáticas e conta histórias nacionais, locais e internacionais.
Com o tema "Mundo Encantado", o centro do monumento traz uma torre, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, como Rapunzel no topo. Logo abaixo surge o líder do Chega, André Ventura, como Flautista de Hamelin, e vários sapos espalhados pelo local, em referência à superstição associada à comunidade cigana.
Os diversos partidos também estão representados na escultura. Sentados numa mesa, com barretes que remetem para os Sete Anões, surgem Paulo Raimundo (PCP), Rui Tavares (Livre), Inês de Sousa Real (PAN) e Mariana Leitão (Iniciativa Liberal). O partido Juntos Pelo Povo (JPP), com origem na Madeira, é representado por copos de poncha. Rita Matias, deputada pelo Chega, aparece como a bruxa no mesmo cenário.
A crítica às falhas do Sistema Nacional de Saúde (SNS) também estão presentes, com trocadilhos com nomes de alguns hospitais: "Maternidade 24 horas... de espera", "Hospital Santa Maria nos Valha" e "Hospital da Luz Negra", todos eles com uma placa de "Encerrado". À frente, o coelho da Alice no País das Maravilhas, vestido de bombeiro, ajuda o Capuchinho Vermelho num parto, assistido pelo Lobo Mau, e a Branca de Neve ajuda a reanimar José Luís Carneiro (PS).
Ao nível local, a monumento destaca, numa imagem associada ao filme Titanic, a ex-presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Laura Rodrigues, como Rose, e o ex-secretário de Estado e ex-presidente da autarquia Carlos Miguel, nascido em Torres Vedras e de etnia cigana, no papel de Jack. No casco do barco vê-se a placa "PS 49 anos", em referência à perda da autarquia para a direita.
Fora da política, o Monumento ao Carnaval de Torres Vedras presta ainda homenagem a Luís Correia, conhecido localmente como "Corneta", que faleceu em outubro de 2025 e dedicou grande parte da sua vida à alegria e à tradição carnavalesca da sua cidade natal, sempre vestido de matrafona.
Já no que diz respeito às figuras internacionais, destaque para o presidente norte-americano, Donald Trump, como Rainha de Copas, montado numa pomba, símbolo da paz, mas com mísseis nas patas e que segura Nicolás Maduro. Ao lado, o presidente russo, Vladimir Putin, aparece montado num dragão, assim como Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.
António Costa (presidente do Conselho Europeu), Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e António Guterres (secretário-geral das Nações Unidas) são representados dentro de cápsulas da NATO, numa referência ao armamento nuclear.
O Monumento ao Carnaval de Torres Vedras usa ainda a figura vestida de forma típica para falar da polémica das casas de banho sem género, mostrando-o a apertar as pernas enquanto lida com a confusão da diversidade de placas, sem saber para onde entrar. O Zé Povinho também marca presença, como habitualmente, desta vez enquanto Bela Adormecida.
A inauguração do Monumento ao Carnaval de Torres Vedras esteve prevista para 24 de janeiro, mas o mau tempo levou à alteração dos planos. "São Pedro pregou-nos uma partida... Apesar do trabalho e da dedicação das equipas de montagem, a tempestade Ingrid acabou por afetar a estrutura do Monumento ao Carnaval, danificando também algumas peças. Porque um bom Carnaval é um Carnaval seguro, a Inauguração do Monumento ao Carnaval de Torres Vedras foi cancelada, de forma a não colocar em causa a segurança de foliões e bens", informou a organização nas redes sociais.
Também a Embaixada Real do Carnaval de Torres Vedras a Lisboa foi cancelada, "devido à situação excecional que o país atravessa, na sequência da tempestade Kristin, e ao prolongamento do estado de calamidade até dia 8 de fevereiro, bem como à ativação do Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil". "Agora a prioridade é cuidar, depois voltamos a festejar", lê-se no comunicado.
"Esta é uma decisão tomada com responsabilidade e solidariedade, colocando sempre em primeiro lugar a segurança de todos os foliões: participantes, público e comunidades envolvidas".
Assim, "a Embaixada Real regressará a Lisboa em 2027, com toda a sátira, criatividade e alegria que fazem do Carnaval de Torres Vedras um evento único".
Quanto à realização do Carnaval, o vice-presidente da câmara e responsável pela Proteção Civil, Diogo Guia, disse à TSF que "acontecerá sempre".
"Isso é uma certeza absoluta. O Governo acabou de estender, para dia 15, o estado de calamidade. Nesta altura, não há intenção de alterar. Poderá, admito, ter de se adiar uma ou duas semanas, porque as circunstâncias de mobilidade e de segurança podem não estar totalmente garantias", nota.
O Carnaval de Torres Vedras, considerado "o mais português de Portugal", a realizar-se como previsto, este ano tem mais um dia de festa: começa a 12 de fevereiro, com a chegada e entronização dos Reis do Carnaval, e termina a 18 de fevereiro, com o Enterro do Entrudo. Já o tradicional corso escolar, no dia 13, muda de local e decorre na avenida junto ao Parque Verde da Várzea.
O programa dos sete dias de Carnaval pode ser consultado aqui.
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