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Representantes de duas agências da ONU relataram esta segunda-feira, em Nova Iorque, vislumbres de esperança e progresso na recente visita à Faixa de Gaza, embora salientando que a situação “ainda é extremamente frágil”.

O vice-diretor do Fundo da ONU para Infância (UNICEF), Ted Chaiban, denunciou a “situação extremamente precária” das crianças em Gaza e na Cisjordânia, após uma viagem à região na qual constatou que “centenas de milhares de famílias continuam a viver em abrigos temporários, expostas ao frio, à chuva e à desnutrição”.

“Falo-vos com esperança e preocupação após esta visita. (…) Pela primeira vez em muitos meses, há sinais de que um cessar-fogo, imperfeito, frágil, mas vital, está a fazer a diferença na vida de mais de um milhão de crianças. Desde que o acordo entrou em vigor, temos assistido a melhorias que têm impacto na vida das crianças”, disse, numa conferência de imprensa, em Nova Iorque.

“O cessar-fogo permitiu que a ajuda humanitária chegasse ao país, mas o progresso continua frágil e muitas vidas estão à beira do colapso”, alertou.

O representante da Unicef observou que “mais de 100 crianças morreram desde o cessar-fogo”, enquanto “100.000 continuam desnutridas“.

“Cerca de 1,3 milhões de pessoas estão a viver em abrigos improvisados ou prédios danificados e enfrentam condições climáticas extremas”, acrescentou.

Chaiban também sublinhou “a necessidade de manter e estender o cessar-fogo, abrir todas as passagens e rotas internas e garantir um acesso humanitário seguro e previsível”, para “consolidar o progresso e permitir uma recuperação mais ampla da população”.

Embora o acordo de cessar-fogo tenha entrado em vigor há mais de três meses em Gaza, os ataques do exército israelita contra o enclave palestiniano não cessaram completamente, e mortes entre a população palestiniana são registadas quase diariamente.

Apesar disso, o funcionário da ONU destacou alguns progressos, afirmando que, desde outubro, “mais de 1,6 milhões de pessoas receberam água potável e 700 mil cobertores e roupas de inverno”, e que os serviços pediátricos essenciais foram restabelecidos no Hospital Al-Shifa.

Além disso, “foram adicionadas 72 novas unidades de nutrição, que atendem crianças com desnutrição aguda, enquanto conjuntos educacionais e recreativos estão a começar a chegar a crianças que não brincavam há mais de dois anos”.

Na mesma conferência de imprensa, o diretor-executivo adjunto do Programa Alimentar Mundial (PAM), Carl Skau, observou que a agência conseguiu “estabilizar a crise alimentar” e entregou produtos alimentares a mais de um milhão de pessoas por mês, fornecendo 400 mil refeições quentes diariamente e lanches para crianças em 250 centros educacionais temporários.

“Mas acho igualmente importante dizer que ainda há um longo caminho a percorrer. A situação ainda é extremamente frágil. Os avanços que conquistamos podem ser facilmente revertidos. E muito, muito mais precisa ser feito agora”, alertou Skau.

“Encontrei famílias que queimavam pedaços de plástico e madeira para manter as crianças quentes. E, tragicamente, recebemos relatos de pelo menos 10 crianças que morreram de hipotermia desde o início do inverno. Por isso, a situação é ainda extremamente precária, com a sobrevivência por um fio”, salientou.

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