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No episódio desta quinzena do Explica-me Isto, falou-se de direitos das crianças, políticas públicas e responsabilidade coletiva. A convidada é Patrícia Bacelar, psicóloga e diretora técnica do Acolhimento Familiar da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com mais de duas décadas de trabalho na área da promoção e proteção de crianças e jovens em perigo.

A especialista começa por sublinhar que o acolhimento familiar não é apenas uma decisão técnica, mas uma escolha de fundo da sociedade: “Estamos a colocar os direitos da criança à frente daquilo que são prioridades estratégicas a nível das políticas públicas.” O acolhimento familiar, explica, é uma medida aplicada no momento em que uma criança se encontra em situação de perigo e quando todas as alternativas no seu meio natural de vida foram excluídas.

Os números ajudam a perceber a dimensão do desafio. Mais de 6.100 crianças vivem atualmente em casas de acolhimento em Portugal, cerca de 1.300 só na área de Lisboa. Desde 2019, programas como o LxAcolhe permitiram que mais de 180 crianças evitassem a institucionalização, mas a rede de famílias continua longe de responder às necessidades reais.

No episódio, Patrícia Bacelar explica porque é que crescer numa família faz a diferença: “O acolhimento familiar permite que as crianças cresçam em ambientes seguros e familiares”, com impactos positivos na saúde física, emocional e na integração social. Ainda assim, alerta para uma ideia errada comum: a de que só bebés ou crianças pequenas precisam deste tipo de resposta. “Precisamos de famílias para todas as idades, sobretudo para crianças mais velhas, a partir dos sete anos, e para crianças com deficiência ou doença crónica.”

Em Portugal, qualquer pessoa com mais de 25 anos pode ser família e acolhimento, individualmente ou em agregado, desde que tenha condições emocionais, de saúde e habitabilidade para acolher uma criança. Não é preciso ser casal. “O importante é existir um responsável pelo acolhimento, porque depois o cuidado é feito em rede, com a família alargada e a comunidade.”

A convidada desmonta também receios frequentes sobre o vínculo emocional. “É uma criança que deve ser cuidada como se fosse um filho, sabendo que não é um filho.” O acolhimento é temporário, mas o impacto não o é. A lei prevê e incentiva a manutenção dos laços criados, porque “quanto mais relações significativas a criança tiver, melhor para o seu desenvolvimento.”

Num contexto em que o Estado, as IPSS e a sociedade civil são chamados a agir em conjunto, Patrícia Bacelar deixa um apelo, “mais do que as instituições, é a sociedade que precisa de famílias de acolhimento, porque as crianças são o nosso futuro.”

Há temas que dominam a atualidade, mas nem sempre são fáceis de entender. Em "Explica-me Isto", um convidado ajuda a decifrar um assunto que está a marcar o momento. Política, economia, cultura ou ciência, tudo explicado de forma clara, direta e sem rodeios. Os episódios podem ser acompanhados no FacebookInstagram e TikTok do 24notícias.

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