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As escape rooms são uma das formas de entretenimento a crescer em Portugal. A ideia é simples: um grupo de pessoas fica fechado numa sala temática e tem de resolver enigmas para conseguir sair dentro do tempo limite. O que começou como um conceito de nicho rapidamente se espalhou por cidades de todo o país, com salas inspiradas em tudo, desde séries como Stranger Things até filmes de terror.
Agora, a experiência está a mudar. O check-in pode ser feito de forma automática, o briefing é dado por uma voz digital adaptada ao tema do jogo e, lá dentro, a sala consegue perceber onde os jogadores estão encravados e dar-lhes pistas sem intervenção humana. Tudo isto graças à inteligência artificial, que a Mission to Escape está a integrar nas suas operações desde o momento da reserva até ao fim do jogo.
Miguel Correia, managing partner da empresa, explica que o processo começa logo online. “Fazes a reserva e nós, através da inteligência artificial, temos algumas questões que apoiam a tua decisão”, conta. O sistema pergunta se preferes aventura ou mistério e recomenda a sala mais adequada ao perfil de cada grupo. Depois, envia um link para a inscrição da equipa e as regras de segurança, poupando tempo quando os jogadores chegam ao espaço físico.
Já na loja, o check-in é feito através de um QR code. “Há uma espécie de self check-in, através de um QR code que lês, e com a tua equipa consegues ver um vídeo, também feito através de IA e que explica exatamente o que podes ou não podes fazer.”, descreve Miguel Correia. O briefing também passou a ser dado por agentes de inteligência artificial, com vozes adaptadas a cada tema: mais mágica para Harry Potter, mais séria para Prison Break, mais assustadora para The Curse, por exemplo.
Na prática, o que antes demorava 15 a 20 minutos e exigia a presença de funcionários, agora pode acontecer de forma automática, com custos reduzidos e sempre da mesma maneira.
Pistas automáticas dentro do jogo
Para 2026, a Mission to Escape prepara-se para dar mais um passo. As câmaras nas salas vão conseguir ler a interação dos jogadores com os objetos e, de forma automática, dar pistas através de vozes enquadradas com o tema. “A sala consegue ler perfeitamente o ponto em que estás no jogo e diz-te, de uma forma bastante imersiva, qual é o próximo passo”, explica o responsável.
A ideia é afastar-se dos típicos cadeados e tornar o jogo mais fluido. As aberturas vão ser automáticas e o acompanhamento do movimento dos jogadores vai permitir que a sala responda em tempo real, sempre que peçam ajuda. Os game masters, que até agora acompanham os jogos através de walkie-talkies e câmaras, vão passar a concentrar-se noutras tarefas.
Uma entrevista de emprego numa escape room?
A tecnologia também está a ser usada para eventos corporativos. A Mission to Escape trabalha com empresas de consultoria como a Deloitte e a KPMG, que levam candidatos a jogar escape rooms como parte do processo de recrutamento. A ideia é avaliar competências como liderança, capacidade de ouvir e trabalho em equipa num contexto mais descontraído do que uma entrevista tradicional.
Até agora, os recrutadores tomavam notas manualmente durante o jogo. Com a IA, o sistema vai fazer um acompanhamento automático do comportamento dos jogadores e enviar um relatório por e-mail ou WhatsApp. “Estás num contexto divertido, que à partida serve para te divertires com os teus colegas de equipa, mas, ao mesmo tempo, estás a ser avaliado pelas tuas competências, sobretudo na tomada de decisão e na forma como te relacionas com a equipa. É com a tua equipa que vais mais longe”, comenta Miguel Correia.
Para a área de propostas comerciais, a empresa usa o Dall-E, a ferramenta de geração de imagens do ChatGPT, para criar maquetes de escape rooms personalizadas para marcas. O que antes exigia um ou dois designers a tempo inteiro, agora é feito de forma rápida, embora ainda exija treino constante da máquina para garantir resultados alinhados com a identidade visual de cada cliente.
Há limites para a automatização?
Nem tudo vai ser automatizado e Miguel Correia traça uma linha: as festas de aniversário, que representam 20 a 25% do negócio da empresa, vão continuar a exigir contacto humano. “Grande parte dos nossos clientes ao fim de semana são crianças entre os 8 e os 12 anos. Isto quer dizer que os decisores e os compradores são os pais. Pais esses que precisam de dois a três fatores para tomar a decisão: a confiança, a segurança e a diversão alinhada com aquilo que o seu filho gosta ou não”, começa por explicar o managing partner.
“Se pensarmos, por exemplo, numa mãe, a dona Júlia, de 45 anos, mãe do Francisco e da Joana, ambos com 12 anos, ela precisa de falar com os meus managers, ou eventualmente comigo, para tomar essa decisão. Comprar uma experiência à distância, através do computador ou do telemóvel, exige conforto e confiança. Precisa de alguém que lhe explique exatamente o que vai acontecer, quando vai acontecer e quais são as condições de segurança. Por isso, no que toca a negociações de festas de aniversário, há uma linha que não queremos ultrapassar com a inteligência artificial”, acrescenta.
O negócio e a história da empresa
A Mission to Escape nasceu em 2015 e cresceu rapidamente até 2017, numa altura em que o conceito ainda não estava interiorizado em Portugal. Sobreviveu à pandemia criando escape rooms virtuais para empresas e, em 2021, tornou-se a primeira empresa do setor a entrar em centros comerciais, segundo Miguel Correia. Hoje, emprega 37 pessoas e prepara-se para fechar o ano com 600 mil euros de faturação.
Para o futuro, o managing partner quer apostar numa expansão da marca e em experiências sensoriais. Realidade aumentada, cheiros, temperatura, som imersivo. “No futuro, vejo a Mission to Escape entrar num âmbito de experiências completamente diferentes, em que toda a população, desde os 8 até os 80, pode ter uma experiência de imersividade de som nunca antes vista”, projeta. A ideia é ir para além de jogar uma escape room e passar a senti-la.
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