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Natural de Azurém, Guimarães, onde nasceu em 1957, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, mas a tendência para as letras veio muito antes desse último passo.

"Fui sempre um aluno razoavelmente bom, com uma claríssima tendência para disciplinas para o lado das letras e menos ligado à Matemática. No antigo 6.º e 7.º ano, tinha Latim, que era obrigatório para Direito. Gostei sempre muito de Latim, e tive média de 19. Há até quem diga que só não tinha 20 porque de vez em quando chegava atrasado às aulas e tinha de ser penalizado. Mas o professor dizia sempre que o Latim era a Matemática das letras. Quem tivesse queda para a Matemática, tinha para o Latim e vice-versa. Eu dizia que era uma exceção. Era um grande aluno a Latim e a Matemática, não sendo mau aluno, não tinha o brilhantismo que tinha a Latim. Mas de modo geral fui sempre bom aluno", contou em entrevista ao Observador, em 2016.

Foi ainda jovem que se envolveu na política, vice-presidente da câmara de Fafe aos 19 anos e a partir de 1975 integrou o Partido Social Democrata (PSD), força com a qual viria a ocupar cargos de relevo ao longo de vários anos.

Luís Marques Mendes integrou os três governos liderados por Aníbal Cavaco Silva ao longo de dez anos. Foi Secretário de Estado da Comunicação Social, tendo procedido nesse mandato à criação da Agência de Notícias Lusa.

Foi também secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, cargo que acumulou com a função de porta-voz do Governo, e ministro Adjunto do primeiro-ministro e, entre outras decisões, criou nesse mandato a RTP Internacional.

Liderou o grupo parlamentar do PSD entre 1996 e 1999, tendo sido nessa ocasião o principal responsável pela terceira grande revisão da Constituição, a qual consagrou, pela primeira vez, o direito de voto dos portugueses que residem no estrangeiro nas eleições presidenciais.

Voltou ao Governo em 2002 com o primeiro-ministro Durão Barroso com a pasta dos Assuntos Parlamentares. Entre 2005 e 2007 foi presidente do PSD. A liderança, que se prolongou até 2007, ficou marcada por esforços de reorganização interna e por uma tentativa de reposicionamento político. Sucedeu-lhe Luís Filipe Menezes.

Enquanto presidente do partido, Marques Mendes decidiu que Isaltino Morais não teria o apoio oficial do PSD para recandidatar-se à Câmara de Oeiras em 2005, alegando que não tinha “condições de credibilidade indispensáveis” para uma candidatura política devido ao contexto judicial em que estava envolvido.

Isaltino acabou por apresentar-se às eleições como candidato independente, depois de ser rejeitado ou não apoiado pelo PSD. Mais tarde, acabou por se desfiliar do PSD, precisamente por causa desse veto e também para evitar confrontos internos no partido.

Vinte anos depois, Marques Mendes tem dito publicamente que “se fosse hoje líder do PSD, voltaria a tomar a mesma decisão”, ou seja, manteria o não apoio a Isaltino como candidato, por coerência com a sua posição anterior.

Também em 2005, houve outro caso semelhante. Valentim Loureiro, outro autarca com processos judiciais e polémicas (ligado ao caso Apito Dourado), viu a sua recandidatura pelo PSD rejeitada ou desaconselhada por Marques Mendes. Loureiro chegou a acusar o líder do PSD de agir com motivação pessoal e até chamar-lhe “ditador” por essa decisão.

Após deixar a liderança partidária, Luís Marques Mendes afastou-se da linha da frente da política ativa, mas não da vida pública. Tornou-se comentador político regular na televisão, papel no qual ganhou nova projeção. Fez a sua estreia em 2010 na TVI24, onde participou no programa "Política Mesmo". Três anos depois, passou para a SIC onde nos últimos 12 anos manteve um programa de comentário sobre política nacional e internacional no Jornal da Noite.

O seu comentário é geralmente associado a um estilo analítico, ponderado e institucional, privilegiando a explicação dos factos e das estratégias políticas em detrimento do confronto direto.

Nesse sentido, afirma que gosta de falar de forma seletiva e que comentar tudo “não é o seu estilo”, afastando-se do estilo de Marcelo Rebelo de Sousa. “Uma coisa é sermos amigos, outra coisa é sermos iguais. Eu não sou melhor, sou diferente”, afirmou à RTP.

Apesar de ser uma parte notória da sua vida, Marques Mendes garante que “não passa sequer pela cabeça” voltar ao comentário político caso perca as eleições.

Marques Mendes é também membro do Conselho de Estado, tendo iniciado funções neste órgão há 15 anos com o presidente da República Jorge Sampaio e prosseguiu funções no mesmo órgão nos mandatos de Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 2016, resumia toda a sua participação na política. "Sou, com cargos ou sem cargos, um viciado em política. Não é na política, mas em política. Continuo a gostar de uma boa discussão política, de uma tertúlia política, gosto de emitir opinião. Nesse sentido geral, sou viciado em política".

E as influências começaram em casa. "Sempre fui bastante influenciado na vida política pelo meu pai. Já antes do 25 de abril se respirava e falava de política em casa e isso influenciou-me muito. Todavia, há desde logo uma diferença essencial. O meu pai não gostava de fazer campanhas eleitorais. Era a parte que ele menos apreciava na política. Preferia o trabalho de gabinete. Apesar de influenciado para a vida política por ele, toda a vida fui exatamente ao contrário".

Fora da política, Marques Mendes teve sempre um pé no desporto e contou esse percurso ao 24notícias. “Fui guarda-redes de futebol (Associação Desportiva de Fafe) e andebol (Liceu de Guimarães), a nível federado, até ao escalão júnior”, um passado desportivo distante, trocado ao entrar na maioridade e que vive, desde então, até ao presente. “Saí para me dedicar à política”, porta de entrada aberta por Eurico de Melo, social-democrata nortenho.

“Fiz bodyboard, joguei ténis muitos anos, até as costas me impedirem de jogar” e deixar, de vez, a prática. “Com a idade, um tipo vai piorando, não é?”, questionou.

Uma candidatura "útil"

No final de agosto de 2023, Marques Mendes admitiu uma candidatura presidencial "se houver utilidade para o país" e "um mínimo de condições para avançar", rejeitando ter qualquer decisão naquele momento.

“Nunca na minha vida falei com Luís Montenegro sobre eleições presidenciais, não há nada a falar, não há qualquer acordo”, assegurou Marques Mendes.

No entanto, o antigo presidente do PSD quis acrescentar as condições para tomar ou não essa decisão — que acabou mesmo por tomar e oficializar meses depois.

“Se eu um dia achar que com uma candidatura à Presidência da República posso ser útil ao país — é isso que conta —, se vir que tem alguma utilidade para o país uma candidatura minha e um mínimo de condições para se concretizar, sou franco, tomarei essa decisão, independentemente de acordo ou não acordo”, afirmou.

O antigo líder parlamentar frisou que se trata de “uma decisão livre, pessoal e individual”.

“Insisto: se houver utilidade para o país e um mínimo de condições, se não houver estes requisitos não haverá decisão nenhuma e também está tudo bem”, disse, considerando que “é uma decisão muito pesada”.

Em fevereiro deste ano, Marques Mendes, antigo guarda-redes dos escalões de formação da Associação Desportiva de Fafe, pediu nesse mesmo local jogo limpo antes do arranque de uma longa campanha eleitoral para as presidenciais.

“É um período longo e, portanto, tem que ser gerido com algum talento para haver criatividade, mas não haver banalização, uma questão que se coloca de igual a todos os candidatos”, reconheceu.

“Tenho uma preocupação, e diria que até fazia um apelo positivo, construtivo, a todos os candidatos, àqueles que já são e àqueles que venham a ser. Todos devemos fazer um esforço para fazer uma campanha pela positiva, com base em ideias, de forma construtiva, que seja útil para o país”, frisou.

“Nada de entrar em ataques, muito menos em ataques pessoais, julgo que uma campanha pela positiva, com base em ideias, é aquilo que os portugueses esperam e desejam”, respondeu ainda.

Luís Marques Mendes lançou formalmente a sua candidatura à Presidência da República em 6 de fevereiro de 2025, em Fafe.

"Estive em quatro governos durante quase 13 anos", referiu. "Com este percurso tive oportunidade de adquirir uma vasta experiência, conheço bem o país, o poder local e o poder central e conheço o cargo de Presidente da República".

"O cargo de Presidente da República é um cargo eminentemente político. Assim sendo, deve ser exercido por quem tem experiência política. Não existe uma Presidência sem política", afirmou na altura.

A sua campanha tem como pilares experiência, estabilidade política e ética pública. Marques Mendes tem sublinhado que a Presidência da República — cargo constitucionalmente acima de partidos — deve ser exercida por alguém com larga experiência política e capacidade de construir consenso, rejeitando “aventuras” ou “tiros no escuro”.

A campanha passou a envolver uma comissão de honra com várias personalidades públicas e dirigentes políticos e recebeu apoios significativos, como o de Manuela Ramalho Eanes, antiga primeira-dama portuguesa.

Marques Mendes começou a campanha em desvantagem nas sondagens face a outros candidatos, como o almirante Henrique Gouveia e Melo, que liderou várias sondagens. No entanto, ao longo do ano, as intenções de voto evoluíram e em várias sondagens mais recentes Marques Mendes aparece na dianteira ou num empate técnico, refletindo uma crescente competitividade na corrida à Belém.

O OK de Montenegro e do PSD

No início de outubro de 2024, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que Marques Mendes “é um dos que encaixa melhor” no perfil a candidato presidencial que traçou na moção ao Congresso do PSD. "Não é o único, mas é um daqueles que encaixa melhor nesse perfil”, disse na altura.

Meses depois, no final de maio de 2025, Montenegro propôs ao Conselho Nacional o apoio à candidatura presidencial de Marques Mendes, destacando a sua “isenção política”.

“Ficaremos em muito boas mãos para podermos projetar em cinco anos um período regular de funcionamento das instituições, sabemos com o que podemos contar, sabendo que não vem daí nenhuma surpresa”, afirmou, na sua intervenção inicial no Conselho Nacional do PSD.

No dia seguinte, o apoio do partido à candidatura presidencial de Luís Marques Mendes foi aprovado com apenas um voto contra, com o secretário-geral Hugo Soares a destacar "o apoio massivo e esmagador".

“O que eu queria reafirmar em nome do PSD é um grande regozijo em nós – depois de termos no Congresso aprovado um perfil na moção de estratégia global e depois de termos uma candidatura que representa o perfil em que o PSD acredita – termos aprovado, com esta expressão, o apoio à candidatura do Dr. Luís Marques Mendes”, salientou.

Apesar de ter entregue o seu cartão de militante do PSD, partido que o apoiou oficialmente, Marques Mendes afirma sempre que a sua candidatura é independente e aberta a todos os portugueses. O PSD já declarou apoio formal e o CDS-PP também anunciou apoio à sua corrida presidencial, reforçando o espectro político que o sustenta.

De realçar que Marques Mendes já referiu que, se vencer, é o próprio quem vai para Belém e não o PSD. “Eu não tenho o monopólio da independência, ninguém tem. Mas eu já a provei”, disse na Grande Entrevista da RTP, em novembro.

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