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O apresentador norte-americano, que foi acusado de ser “ofensivo e insensível” devido ao que disse no seu programa Jimmy Kimmel Live, na segunda-feira da semana passada, vai regressar ao ar no seu horário habitual na cadeia ABC.

O comediante tinha sido afastado indefinidamente depois de comentários sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, decisão que desencadeou protestos nas redes sociais, nas ruas e até dentro de Hollywood.

Desde o anúncio, multiplicaram-se nas redes sociais partilhas de utilizadores que cancelaram assinaturas de serviços da Disney, como o Disney+, o Hulu ou o ESPN+, ou até que desistiram de férias em parques temáticos da empresa. À porta da sede da Disney, em Burbank (Califórnia), manifestantes exibiram cartazes a exigir o regresso de Kimmel ao ar e acusam a empresa de ceder a pressões políticas e da Federal Communications Commission (FCC).

A polémica ganhou ainda mais dimensão com alegações que ficaram virais no fim de semana, de que a Disney teria perdido 3,87 mil milhões de dólares em valor de mercado num só dia. O International Business Times desmentiu o valor, apontando para perdas mais próximas de 1,5 mil milhões ainda assim, um impacto significativo para a gigante do entretenimento.

Hollywood contra a Disney

Antes do comunicado da Disney, mais de 430 celebridades, incluindo comediantes, realizadores e argumentistas, apelaram aos norte-americanos para “lutarem para defender e preservar os direitos constitucionalmente protegidos”.

A carta foi dirigida à American Civil Liberties Union (ACLU) e defendia que a decisão representava “um momento negro para a liberdade de expressão no país”.

Podia ler-se ainda: “Independentemente da nossa filiação política, ou de participarmos ou não na política, todos amamos o nosso país.”

lista de assinaturas incluía ainda Noah Wyle, vencedor de um Emmy, Florence Pugh, nomeada para um Óscar, o comediante David Cross, Kelli O’Hara, vencedora de um Tony, e Molly Ringwald.

Robert De NiroBen AffleckJennifer Aniston, Selena GomezLin-Manuel MirandaTom Hanks Meryl Streep também assinaram a carta.

Entre os que decidiram tomar posição nas redes sociais estão também atores e criadores que já trabalharam com a Disney:

  • Tatiana Maslany, protagonista da série She-Hulk: Attorney at Law, publicou no Instagram uma imagem de bastidores com a frase: “Cancelem as vossas subscrições do @disneyplus, @hulu e @espn”.
  • Marisa Tomei, que interpretou a tia May nos filmes do Homem-Aranha e em produções dos Avengers, partilhou igualmente apelos a boicotar os serviços da empresa.
  • Noah Centineo afirmou ter cancelado a sua subscrição do Disney+, embora alguns fãs tenham notado que a adesão tinha sido feita pouco antes, levantando dúvidas sobre a autenticidade do gesto.
  • Cynthia Nixon, estrela de Sex and the City, gravou um vídeo a cancelar a subscrição da sua família em direto no iPad: “A minha família vai sentir falta de séries como Abbott Elementary ou Only Murders in the Building. Mas sentiríamos muito mais falta da Primeira Emenda. Não vão aos parques. Não façam os cruzeiros. Cancelem já as vossas subscrições”, afirmou, numa defesa explícita da liberdade de expressão.
  • Também Damon Lindelof, criador de Lost, série emblemática transmitida pela ABC, juntou-se às críticas. Numa mensagem pública no Instagram, declarou não poder “em boa consciência trabalhar para a empresa que impôs a suspensão”.

O regresso depois da onda protestos

Enquanto as manifestações cresciam, o futuro de Jimmy Kimmel Live! parecia cada vez mais incerto. Imagens captadas na passada sexta-feira mostram membros da equipa a desmontar o cenário e a carregar camiões com equipamento, sinais de que a produção poderá ter sido descontinuada.

A controvérsia começou depois de Kimmel ter feito piadas sobre a morte de Charlie Kirck. A decisão de suspensão foi justificada por dirigentes da Nexstar, que distribui o programa, como uma resposta a “comentários ofensivos e insensíveis num momento crítico do discurso político nacional”. Além disso, há relatos de que o programa estava com baixas audiências.

Perante a escalada da contestação, que já mobilizava fãs, artistas e investidores, a Disney voltou atrás na decisão. A empresa não respondeu a pedidos de comentário sobre o boicote em curso nem sobre o futuro do programa de Jimmy Kimmel.

“Na passada quarta-feira, tomámos a decisão de suspender a produção do programa para evitar inflamar ainda mais uma situação tensa num momento emocional para o nosso país. Foi uma decisão que tomámos porque sentimos que alguns dos comentários foram feitos fora de tempo e, por isso, se tornaram insensíveis. Passámos os últimos dias em conversas ponderadas com o Jimmy e, após essas conversas, chegámos à decisão de regressar com o programa na terça-feira.”

No entanto, não está claro se o Jimmy Kimmel Live voltará a ser transmitido pela Sinclair e pela NexStar, dois grandes operadores de rede que, em conjunto, controlam cerca de 20% das afiliadas da ABC.

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