O Banco Master, liderado por Daniel Vorcaro, entrou em liquidação pelo Banco Central devido a fraudes bilionárias, estima-se a movimentação ilícita de 11,5 mil milhões de reais (aproximadamente 1,85 mil milhões de euros).
Entre as práticas investigadas estão empréstimos fictícios, emissão de títulos sem lastro e operações com créditos de carbono fraudulentos, que envolvem terrenos indígenas no Amazonas e fundos como o Hans 95, que apresentaram rentabilidades surreais de até 7 milhões por cento.
Ligações familiares e conflitos de interesse
O resort Tayayá, no Paraná, foi construído por familiares de Dias Toffoli e posteriormente vendido a um fundo com investidores ligados à JBS e a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Relatórios indicam que Dias Toffoli passou 168 dias no local desde 2022, com gastos de segurança de 548,9 mil reais (88 mil euros), mantendo casa e lancha de uso exclusivo.
Segundo a imprensa brasileira, o ministro continuou a frequentar o resort mesmo após a venda, e chegou a fechar o local para festas privadas com celebridades. Funcionários e imprensa local chegaram a confirmar que Dias Toffoli é considerado o “dono” do resort.
Além disso, a existência de um casino clandestino no resort, reforça as suspeitas de que o local servia como espaço de convivência entre os diferentes poderes. O resort Tayayá aparece como elo físico da relação de Dias Toffoli com empresários do setor financeiro investigado, como Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, e como símbolo das vantagens patrimoniais e benefícios pessoais.
A imprensa também aponta proximidade com outros ministros, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além de escritórios de advocacia ligados a mulheres de magistrados.
A Transparência Internacional Brasil solicitou que a Procuradoria Geral da República (PGR) pedisse o afastamento de Dias Toffoli, atendendo às suspeitas de conflito de interesse e imparcialidade comprometida.
Advogados influentes da defesa de Vorcaro já deixaram o caso, temendo que delação premiada do banqueiro exponha relações do poder Judiciário com offshores.
As decisões polémicas de Dias Toffoli
As suspeitas aumentaram no momento em que o juíz Dias Toffoli determinou inicialmente que o material apreendido ficasse lacrado no STF, antes da análise da Polícia Federal, e nomeou peritos da corporação sem consultar a instituição, violando os procedimentos padrão.
Também reduziu os depoimentos de seis para dois dias, alegando limitações físicas e de pessoal no STF, e posteriormente prorrogou a investigação por 60 dias. Quatro peritos da PF foram designados para acompanhar a extração de dados e perícia do material, o que gerou críticas internas na PF e na PGR sobre a imparcialidade do relator.
Pedido de demissão de Dias Toffoli
O pedido surge de diversos setores da sociedade civil e política atendendo às suspeitas de conflitos de interesse graves e má condução de investigação criminal.
Em causa está a ligação indireta a empresários investigados (como Fabiano Zettel e familiares de Vorcaro) e o facto de ser um frequentador assíduo do resort Tayayá, associado a esquemas financeiros suspeitos. Assim como as decisões que atrapalharam investigações, como a retenção inicial de provas da Operação Compliance Zero, a nomeação própria de peritos da Polícia Federal, redução dos prazos de depoimentos e sigilo absoluto do inquérito.
Por fim, o risco de exposição de irregularidades isto é, o Banco Master movimentou 11,5 mil milhões de reais em fraudes envolvendo Créditos de Depósitos Bancários, créditos de carbono e offshores.
A pressão sobre Dias Toffoli aumentou quando advogados e intermediários próximos de Vorcaro começaram a afastar-se da defesa, o que aumentou as suspeitas que uma delação premiada poderia envolver a o Supremo Tribunal.
O pedido de destituição não significa que o ministro vá ser afastado automaticamente. O pedido tem que ser recebido pela Câmara dos Deputados, que decide se instaura o processo. O Senado, então, será responsável pelo julgamento, podendo resultar na remoção do ministro.
O que se segue?
Os depoimentos no inquérito foram marcados para 26 e 27 de janeiro de 2026, com parte presencial e parte por videoconferência.
O dono do banco, Daniel Vorcaro, não será ouvido neste momento. Foi determinado que durante essa fase do inquérito haja quebras de sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades, além do bloqueio de 5,7 mil milhões de reais de bens (aproximadamente 915 milhões de euros) de 38 investigados. A investigação aponta indícios de organização criminosa, incluindo gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Porque ressurge o nome do juíz Alexandre de Moraes neste caso?
Embora não sejam relatores do inquérito, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes aparecem no debate devido a perceções de conflitos de interesse ou blindagem institucional.
De acordo com a imprensa brasileira, a mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, era a dona de um escritório que recebeu contratos do Banco Master, o que gera dúvidas sobre a imparcialidade do juíz em casos que envolvam a instituição ou os seus sócios. Economistas e especialistas brasileiros em regulação consideram que, por laços familiares e profissionais indiretos, o juíz também deveria se declarar suspeito.
Também Gilmar Mendes é mencionado em reportagens na imprensa brasileira como parte de uma espécie de “trindade de proteção” dentro do STF, com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Embora não haja provas de envolvimento direto em operações do Banco Master, a sua presença nas relações políticas e jurídicas reforça a sensação de uma rede de autoproteção entre ministros e elites financeiras.
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