De acordo com a Euronews, a polícia moldava levou a cabo centenas de rusgas nos dias que antecederam o escrutínio, tendo detido diversas pessoas sob suspeita de planearem ações de desestabilização no dia das eleições. As autoridades alertaram para potenciais tentativas de ciberataques, ameaças falsas de bomba e perturbações nas ruas.
Em causa está a escolha entre dois caminhos distintos para o futuro da Moldávia: a consolidação do rumo pró-europeu, liderado pelo Partido de Acção e Solidariedade (PAS), actualmente no poder, ou um regresso à esfera de influência de Moscovo, promovido por partidos da oposição de orientação pró-russa.
A Moldávia, país de cerca de 2,5 milhões de habitantes situado entre a Ucrânia e a Roménia, obteve o estatuto de candidato à adesão à União Europeia em 2022, após o início da invasão russa da Ucrânia. Esta aproximação ao Ocidente tem sido alvo de forte oposição por parte do Kremlin, que, segundo o governo moldavo, está a investir "centenas de milhões de euros" numa alegada "guerra híbrida" para influenciar o desfecho das eleições.
O primeiro-ministro Dorin Recean afirmou que estas eleições representam “a batalha final pelo futuro do nosso país” e apelou à mobilização dos eleitores, tanto no território nacional como na diáspora.
A questão económica também pesa sobre o voto. A inflação elevada, o custo de vida em agravamento e os níveis persistentes de pobreza poderão afetar o apoio ao governo liderado pelo PAS, fundado pela presidente Maia Sandu em 2016.
A diáspora moldava — cuja participação foi determinante nas eleições presidenciais anteriores — poderá voltar a desempenhar um papel decisivo. Em 2024, mais de 320 mil cidadãos votaram a partir do estrangeiro, com uma esmagadora maioria a favorecer os candidatos pró-UE.
Embora as sondagens locais indiquem uma vantagem para o PAS, cerca de um terço do eleitorado mantém-se indeciso, e muitos analistas sublinham que a taxa de participação será fundamental para definir o vencedor.
Segundo a Euronews, o desfecho destas eleições poderá redefinir o lugar da Moldávia na geopolítica europeia — ou como Estado-membro futuro da União Europeia, ou como peça vulnerável no tabuleiro de influência do Kremlin.
Quem está na corrida ao Parlamento?
O Parlamento a ser eleito este domingo será composto por 101 deputados. Após o escrutínio, o Presidente moldavo nomeará um primeiro-ministro, que tentará formar governo com base na nova correlação de forças parlamentares.
A corrida opõe o PAS a uma série de forças políticas mais próximas de Moscovo, entre as quais se destaca o Bloco Eleitoral Patriótico, que defende a “neutralidade permanente” e uma “amizade reforçada com a Rússia”. Outros partidos, como o populista Nosso Partido ou o Bloco Alternativa, apresentam discursos ambíguos em matéria de política externa, o que levanta dúvidas sobre o futuro alinhamento estratégico do país.
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