"A ideia de que as mulheres possuem um sexto sentido é, na verdade, uma metáfora popular e não corresponde a uma realidade científica", afirma a psicóloga clínica, Andreia Filipe Vieira, ao 24notícias.
Apesar de não existir evidência científica de que as mulheres têm um sentido a mais, a expressão é normalmente usada para descrever a capacidade que muitas têm em captar sinais no comportamento dos outros e em fazer leituras emocionais mais profundas das situações.
A especialista explica que as mulheres tendem a ter mais atenção e, uma maior sensibilidade a expressões faciais, tons de voz e linguagem corporal, o que lhes permite decifrar emoções e intenções com mais facilidade.
"Além disso, as normas sociais educaram, durante séculos, as mulheres a serem mais empáticas e atentas ao mundo emocional dos outros", disse.
No entanto, se não há evidências científicas, como pode ter surgido este mito?
Há dois fatores que podem ter contribuído fortemente para a origem e propagação do sexto sentido feminino — a cultura e a psicologia.
"Durante muito tempo, as sociedades atribuíram às mulheres um papel ligado ao instinto maternal e à intuição, características que eram romantizadas como dons mágicos", explica Andreia Filipe Vieira.
Já a nível psicológico, a capacidade de perceber e antecipar estados emocionais em crianças e parceiros pode ter contribuído para a impressão de que existe uma capacidade “sobrenatural”.
Questionada sobre as principais diferenças apresentadas entre os homens e as mulheres, a psicóloga lembra que, primeiramente, é importante "não cair na armadilha de generalizações rígidas", uma vez que as diferenças entre os sexos não são apenas biológicas, mas construídas socialmente, ao longo do desenvolvimento psíquico de cada pessoa.
"Na prática clínica, observa-se que, em muitos contextos culturais, as mulheres são desde cedo incentivadas a voltar-se para o outro, a cuidar, a ler as emoções alheias e a 'sentir com o outro'", explica.
Enquanto que estes fatores socioculturais podem contribuir para uma maior capacidade de captar sensações nos relacionamentos interpessoais, muitos homens são educados em contextos onde a sensibilidade e a escuta interior são menos valorizados, de acordo com a psicóloga.
"Os sentidos não são apenas receptores passivos de estímulos, eles são profundamente atravessados pela nossa história afectiva, pelas nossas relações precoces e pela maneira como nos colocamos no mundo", afirma.
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