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Natural de Coimbra, André Pestana tem 48 anos, dois filhos, e é professor de Biologia e Geologia. Doutorado na área das alterações climáticas, construiu a carreira profissional no ensino público, conciliando a atividade docente com a investigação académica. Foi, no entanto, através da intervenção sindical que ganhou maior projeção pública.

Enquanto dirigente do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), Pestana esteve no centro das grandes mobilizações de professores que marcaram o debate político nos últimos anos. As greves e protestos em defesa da escola pública, contra a precariedade laboral e pela valorização da carreira docente colocaram-no frequentemente no espaço mediático e deram-lhe notoriedade junto de setores descontentes com as políticas públicas.

A candidatura presidencial surge nesse contexto de ativismo e é assumida como um prolongamento da sua intervenção cívica. Sob o lema "é hora de abrir a pestana", André apresenta-se como um candidato "anti-sistema, crítico das elites políticas e económicas, e defensor de uma maior justiça social". Rejeita rótulos partidários e afirma não representar qualquer força política organizada, apostando numa mobilização de base e num discurso de proximidade.

No plano político, tem sublinhado a defesa de serviços públicos fortes, nomeadamente na Saúde, Educação e Transportes, e denuncia o que considera serem desigualdades estruturais no país, visíveis nos baixos rendimentos, nas pensões reduzidas e no aumento do custo de vida. No plano internacional, assume posições críticas face a intervenções militares e a lógicas de força nas relações entre Estados, defendendo uma política externa "assente no direito internacional e na soberania dos povos".

Figura polémica para alguns e símbolo de resistência para outros, André Pestana entra na corrida a Belém como um outsider, num cenário dominado por candidatos com mais "pujança", como já disse. O principal desafio da sua candidatura será transformar a visibilidade conquistada no espaço sindical e nos movimentos sociais em expressão eleitoral, num cargo tradicionalmente associado a figuras de consenso e de grande capital político.

Independentemente do resultado, como o próprio disse na sua "curta campanha", a presença nas presidenciais "introduz no debate temas ligados ao trabalho, às desigualdades e à contestação social, procurando levar para a campanha uma voz habitualmente ausente das eleições para a Presidência da República".

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