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As tarifas são pagas pelas empresas norte-americanas que importam bens, e o seu impacto sente-se tanto nos EUA como na economia global. Dados da Universidade de Yale indicam que, a partir de 7 de agosto, a tarifa média efetiva estava em 18,6% — contra 2,4% em 2024 — e as receitas alfandegárias do governo triplicaram, atingindo 28 mil milhões de dólares em junho. O Congresso estima que estas receitas reduzam o endividamento público em 2,5 biliões de dólares até 2035, mas também prevê que o efeito líquido seja negativo devido à redução do crescimento económico e às perdas fiscais associadas aos cortes de impostos da administração Trump.
Paradoxalmente, a guerra comercial fez aumentar o défice comercial de bens dos EUA, que chegou a um recorde de 162 mil milhões de dólares em março, antes de cair para 86 mil milhões em junho. A principal razão foi o aumento das importações, impulsionado pelo “stockpiling” (armazenamento antecipado) para evitar as novas tarifas. Especialistas sublinham que o défice é sustentado por desequilíbrios estruturais internos — como o consumo superior à produção nacional, e não apenas por práticas comerciais injustas de outros países.
No caso da China, embora as tarifas tenham baixado de um pico de 145% para 30%, as exportações chinesas para os EUA caíram 11% no primeiro semestre de 2025 face a igual período de 2024. Pequim redirecionou vendas para outros mercados, com aumentos significativos para a ASEAN (+13%), Índia (+14%), UE (+7%) e Reino Unido (+8%). Há preocupações em Washington de que empresas chinesas usem países do Sudeste Asiático para “contornar” tarifas, montando produtos fora da China antes de os exportar para os EUA.
Enquanto isso, vários países aproveitam para reforçar acordos comerciais fora da órbita norte-americana: o Reino Unido e a Índia concluíram um acordo após três anos de negociações; a EFTA assinou com o Mercosul; a UE avança com um tratado com a Indonésia; e o Canadá explora um pacto com a ASEAN. O conflito também acelerou a mudança da China para importar soja do Brasil em detrimento dos EUA, tendência reforçada pelas tarifas retaliatórias chinesas. Em junho, Pequim comprou 10,6 milhões de toneladas do Brasil e apenas 1,6 milhões dos EUA — uma situação que já levou, no passado, a administração Trump a subsidiar diretamente agricultores norte-americanos.
Economistas alertam à BBC ainda que as tarifas repercutir-se-ão nos preços ao consumidor. A inflação oficial subiu de 2,4% em maio para 2,7% em junho, com aumentos visíveis em eletrodomésticos, computadores, artigos desportivos, livros e brinquedos. Dados em tempo real do Harvard Pricing Lab mostram que, em 2025, bens importados e produtos domésticos afetados por tarifas estão a encarecer mais rapidamente do que aqueles não afetados.
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