Controlo de fronteiras é para manter em Itália. Meloni não cede a ultimato de Sánchez e espanhol responde com a mesma moeda

Catarina Borges Duarte
Catarina Borges Duarte

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O governo italiano vai manter os controlos fronteiriços a viajantes oriundos de Espanha até 15 de agosto. Esta é a resposta do executivo de Giorgia Meloni ao ultimato feito pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, para que fossem levantados os controlos das fronteiras.

A medida foi implementada por Itália a 1 de agosto, depois de 72 mil pessoas terem entrado, de forma irregular, em Ceuta em menos de 24 horas. Meloni garantiu que os controlos vão manter-se até 15 de agosto, data apontada para uma possível chegada em massa de novos migrantes a Ceuta.

“Itália não aceita ultimatos nem imposições do estrangeiro no que diz respeito à segurança nacional e ao controlo das fronteiras. Não tencionamos, em caso algum, rever a decisão de suspender a aplicação do Acordo de Schengen aos cidadãos de países terceiros provenientes de Espanha, pelo menos até 15 de agosto”, disse o governo de Meloni num comunicado.

O executivo italiano, liderado pela extrema-direita, garantiu ainda que só levantará as restrições quando tiver “a certeza de que não haverá riscos de segurança e de terrorismo para a Itália”.

Esta sexta-feira, Pedro Sánchez subiu o tom com Itália e ultimou o governo de Meloni a terminar com os controlos e a “tratar os espanhóis como os restantes cidadãos europeus”. O presidente do governo espanhol garantiu que, se Itália não puser fim aos controlos nas fronteiras até 9 de agosto, Espanha irá “adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos”.

Num comunicado, Sánchez reforçou que nenhum dos migrantes que chegou irregularmente a Ceuta pode entrar livremente no Espaço Schengen e que a maioria já regressou a Marrocos.

Segundo a imprensa italiana, as reações ao ultimato espanhol não suavizaram o tom. “O primeiro-ministro espanhol ficaria melhor se ficasse calado e controlasse as suas fronteiras em vez de ameaçar o governo italiano, visto que estamos atualmente a bloquear dezenas de imigrantes ilegais que chegam de Espanha nos aeroportos”, disse o ministro dos Transportes, Matteo Salvini.

Já delegação do partido Liga no Parlamento Europeu considerou que, “em vez de ameaçar a Itália, o primeiro-ministro socialista Sánchez deveria concentrar-se em defender as fronteiras espanholas e europeias da invasão de imigrantes ilegais”.

O Governo italiano não cedeu mesmo e a resposta já se fez saber por parte de Sánchez: impor controlos fronteiriços aos viajantes provenientes da Itália. O executivo de Madrid justifica esta decisão face à "pressão migratória irregular persistente que o país transalpino sofre".

Os controlos fronteiriços estarão em vigor a partir das 00:00 horas deste sábado, 8 de agosto, e consistirão na verificação da identidade (passaporte) e nacionalidade dos viajantes e, no caso de nacionais de países terceiros, do visto ou autorização de residência.

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