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Diogo Castro é estudante do 12.º ano e candidatou-se à 2.ª fase dos exames nacionais. Além disso, pediu a reapreciação da prova de Português da 1.ª fase por ser um dos estudantes afetados pelas falhas no processo de correção digital.

“Tive 7,5 valores e estranhei porque foi o exame que me correu melhor. Quando consultei a prova, percebi que tinha as perguntas de escolha múltipla todas erradas porque a minha versão era a 2 e o exame foi corrigido de acordo com a versão 1”, afirmou Diogo Castro, garantindo que espera um aumento de, pelo menos, seis valores.

O estudante do Liceu Camões falou num processo marcado por “muita desorganização” e mostrou-se preocupado com a demora dos resultados das reapreciações que, até ao início da tarde, não tinham ainda chegado à maioria das escolas do país.

“Estou preocupado porque ainda não sei o resultado da reapreciação e daqui a pouco a secretaria fecha e ficarei sem oportunidade de mudar já a ficha ENES”, afirmou Diogo Castro, acrescentando que já entrou em Design de Moda numa instituição de ensino privada, mas que quer tentar ingressar no Ensino Superior público.

Os estudantes que pediram a reapreciação das provas têm três dias, ou seja até segunda-feira, para pedirem presencialmente a fecha ENES e alterarem ou apresentarem a candidatura ao Ensino Superior. Com um fim de semana pelo meio, os alunos mostram-se preocupados com os prazos apertados.

Diogo Castro revelou que os problemas estão a afetar a confiança que tinha no sistema e garantiu que foi dada pouca prioridade às reapreciações das provas.

“Sinto-me bastante ansioso e isto já aconteceu na 1.ª fase dos exames. Nessa altura, vim várias vezes à escola e só tive conhecimento dos resultados já de madrugada”, contou Diogo Castro. “Agora, está a repetir-se. Já sei a nota da 2.ª fase, mas não sei ainda a da reapreciação e nem há uma previsão sobre quando chegará”.

Mais sorte teve Guilherme Pereira, que não foi afetado pelas falhas na correção dos exames. O pai, Bruno Pereira, deslocou-se à escola para ver as notas que o filho teve na 2.ª fase a Português e a Física e Química.

“Pedimos para consultar as provas, avaliámos os exames e, de facto, não vimos impactos. Por isso, decidimos não pedir a reapreciação”, afirmou Bruno Pereira em declarações ao 24notícias, acrescentado que não ficou apreensivo com as falhas que decorreram na 1.ª fase. “Trabalho na área da informática e, honestamente, compreendo que estas coisas não corram bem à primeira. Agora, ficarei chocado se isto não correr bem no próximo ano”.

Ainda no átrio do Liceu Camões, o 24notícias encontrou Henrique Jerónimo. É estudante do 11.º ano e deslocou-se à escola para verificar os resultados que obteve na 2.ª fase dos exames.

As provas não correram como esperava, mas admite que uma troca de exames aumentou ainda mais a necessidade de repetir o exame. “Pedi para consultar o exame de Biologia e Geologia e foi-me entregue um exame de Física e Química de outro aluno”, afirmou Henrique Jerónimo, que realizou provas de Biologia e Geologia e de Filosofia.

Sobre as correções da 2.ª fase, o estudante mostrou-se confiante: “acredito que a correção da 2.ª fase tenha corrido melhor porque havia menos provas para corrigir”.

Cenário repete-se na Escola D. Filipa de Lencastre

“Isto está uma tristeza”: é a forma como Mariana de Oliveira Pereira descreve tudo o que está a acontecer com os exames nacionais este ano. À porta da Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, a jovem afirmou que ingressou em Direito na Universidade Nova de Lisboa no ano passado, mas que quer trocar de curso para estudar Psicologia.

“Para trocar de curso, preciso da ficha ENES e ainda não a consegui pedir. Agora, temos três dias e não três dias úteis, o que dificulta tudo ainda mais”, afirmou Mariana de Oliveira Pereira, que se deslocou à escola com a amiga Leonor Paiva numa tentativa de confirmar se as reapreciações já estariam afixadas.

Também Vasco Cunha se dirigiu ao liceu D. Filipa de Lencastre para perceber se as notas das reapreciações já estariam disponíveis, mas obteve um “não” como resposta.

“Acho que este processo está a quebrar a confiança dos estudantes. Estava com grandes expectativas e não tive maus resultados, mas penso que merecia melhor”, disse Vasco Cunha, justificando porque decidiu recorrer à reclassificação da prova de História A.

À semelhança de outros alunos com quem o 24notícias falou, também Vasco está preocupado com o prazo apertado para mudar a ficha ENES. “Eu já pedi a ficha e já me candidatei ao Ensino Superior, mas se a minha nota mudar, terei de fazer um novo pedido”, afirmou Vasco Cunha, revelando que teve dificuldades em pedir o documento e que foi preciso esperar alguns dias.

Júri Nacional de Exames falha prazo

“Há um atraso objetivo da parte do Júri Nacional de Exames, tendo em conta a informação que chegou ontem às escolas”, afirmou ao 24notícias Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. O professor garantiu que o Júri enviou, ontem, um email a indicar que os ficheiros com as notas das reapreciações seriam enviados durante a manhã desta sexta-feira para que as classificações pudessem estar afixadas à tarde.

As notas das reapreciações começaram chegar a algumas escolas por volta das 16h00, mas há instituições que ainda não receberam os ficheiros. Com o prazo de três dias para pedir uma nova ficha ENES, Filinto Lima não tem dúvidas de que “o próximo fim de semana e a segunda-feira serão dias de muito trabalho administrativo para as escolas”.

À margem de um evento em Leiria, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu alguns atrasos pontuais, mas garantiu ter a informação de que as notas começaram a chegar às 13h00 e que todos os agrupamentos de escolas receberiam as informações até às 17h00. Apesar disto, ontem, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação avançou que as reapreciações iriam chegar às escolas durante a manhã desta sexta-feira.

De acordo com informações divulgadas pelo ministro da Educação, houve mais de 20 mil pedidos de reapreciações este ano.

Mais de 60.391 estudantes candidataram-se à 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior, um número face às 49.595 candidaturas registadas no ano passado.

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