Patriarca Latino impedido de celebrar Missa de Ramos em Jerusalém. O que aconteceu e quais as reações?

Alexandra Antunes
Alexandra Antunes

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O Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, foi impedido pelas autoridades israelitas de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a Missa de Ramos, marcando o início da Semana Santa, numa decisão que suscitou condenações internacionais.

O que aconteceu? 

O Patriarca Latino, acompanhado pelo sacerdote Francesco Ielpo, foi barrado junto à Igreja do Santo Sepulcro – local venerado como o sítio da sepultura e ressurreição de Jesus Cristo. Esta foi a primeira vez em séculos que um Patriarca Latino foi impedido de aceder a este local no Domingo de Ramos, considerado emblemático na tradição cristã.

O Patriarcado afirmou que os líderes religiosos tinham seguido todas as restrições em vigor desde o início da guerra e que a decisão deste domingo representou “uma medida manifestamente irrazoável e desproporcionada”, constituindo “um afastamento extremo dos princípios básicos da razoabilidade, liberdade de culto e respeito pelo status quo”.

O Patriarca Pizzaballa descreveu o episódio como um “precedente grave” que desrespeita as sensibilidades de milhões de cristãos em todo o mundo, especialmente durante esta semana em que Jerusalém é centro das celebrações da Semana Santa.

O que levou a esta situação?

A medida surge no contexto do conflito em curso entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, que levou a restrições rigorosas sobre o acesso a locais sagrados em Jerusalém. Segundo o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, os fiéis de todas as religiões foram aconselhados a não visitar a Cidade Velha por razões de segurança, após recentes ataques iranianos.

As autoridades israelitas justificaram a medida com preocupações especiais de segurança. Netanyahu referiu que todos os locais sagrados da Cidade Velha têm estado fechados desde 28 de fevereiro, data do início do conflito armado, e que a polícia rejeitou o pedido do Patriarcado para uma exceção durante o Domingo de Ramos.

O primeiro-ministro destacou ainda que locais sagrados de cristãos, judeus e muçulmanos foram repetidamente alvo de ataques de mísseis iranianos, e que fragmentos de projéteis caíram a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro. “Não houve qualquer intenção maliciosa na decisão”, afirmou, adiantando que está a ser elaborado um plano para permitir que os líderes religiosos celebrem missas nos próximos dias.

Quais as reações internacionais?

A situação suscitou críticas imediatas de líderes internacionais. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, considerou o impedimento um “excesso infeliz” difícil de compreender ou justificar, salientando que o Patriarca e Ielpo tentaram entrar na igreja de forma privada, sem procissão, e que as restrições atuais apenas se aplicam a reuniões religiosas com mais de 50 pessoas. Apesar disso, Huckabee elogiou esforços do governo israelita para facilitar outras atividades religiosas durante a Semana Santa.

Em Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a medida como “uma ofensa não apenas aos crentes, mas a todas as comunidades que reconhecem a liberdade religiosa”, enquanto o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, convocou o embaixador israelita para prestar explicações.

Em França, o presidente Emmanuel Macron condenou a decisão, salientando o aumento preocupante das violações do estatuto dos lugares sagrados em Jerusalém e afirmando que “a liberdade de celebrar ritos religiosos deve ser assegurada para todas as religiões”.

O Papa Leão XIV expressou solidariedade com os cristãos do Médio Oriente, referindo que sofrem as consequências de um conflito terrível e, em muitos casos, não conseguem viver plenamente os ritos sagrados desta semana.

E em Portugal?

O Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou o sucedido nas redes sociais.

"O impedimento do acesso do Cardeal Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, à igreja do Santo Sepulcro para as celebrações do Domingo de Ramos, que seriam apenas retransmitidas, merece a mais firme reprovação. Exorta-se as autoridades israelitas a garantirem e praticarem a liberdade de religião e de culto", pode ler-se.

Também o presidente da República, António José Seguro, diz que "tomou conhecimento, com profunda preocupação, do impedimento imposto pelas autoridades israelitas ao Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro, situação sem precedentes em séculos recentes".

"Trata-se de um facto que atinge a comunidade cristã local e também o princípio universal da liberdade religiosa, pilar essencial das sociedades democráticas e consagrado no direito internacional. A livre prática do culto, em particular em locais de significado histórico e espiritual ímpar, deve ser assegurada e respeitada por todas as autoridades, em qualquer circunstância", é afirmado na nota da Presidência.

"O Presidente da República manifesta a sua firme reprovação por este impedimento, que considera injustificado e contrário aos compromissos internacionais de proteção da liberdade religiosa", pode ler-se.

De acordo com António José Seguro, "Portugal acompanha com atenção a situação em Jerusalém e apela ao respeito integral pelos direitos das comunidades religiosas, bem como à preservação do acesso livre e seguro aos lugares santos, que pertencem ao património espiritual da humanidade".

Neste momento particularmente sensível, o Presidente da República sublinha a importância do diálogo, da contenção e do respeito mútuo, como caminhos indispensáveis para a paz, a estabilidade e a dignidade humana na região.

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