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Se a resposta for “sim”, o corpo e a mente alinham-se. Surge entusiasmo, confiança e a perceção de controlo. A performance tende a aproximar-se dos nossos melhores níveis porque nos sentimos preparados. Já quando a resposta é “não”, o cenário muda: aparecem ansiedade, frustração e medo das consequências. O corpo fica tenso, o foco dispersa-se e as emoções ativam mecanismos instintivos de luta, fuga ou bloqueio. Reações intensas, que pertencem à nossa natureza humana, e que ninguém consegue evitar por completo.
A questão então não é como eliminar o stress, mas como o gerir quando inevitavelmente aparece. Uma abordagem prática que tenho partilhado com atletas é simples mas eficaz: Aware > Reset > Refocus.
AWARE
Tudo começa pelo reconhecimento. Identificar a emoção e assumir que está presente. Parece óbvio, mas muitas vezes deixamo-nos ir em “piloto automático”, esperando que passe sozinho. Raramente resulta. É o ato de estar consciente que abre a porta à gestão.
RESET
Depois é preciso libertar corpo e mente da tensão acumulada. Técnicas fisiológicas de regulação – como a respiração controlada ou movimentos corporais específicos – ajudam a restaurar equilíbrio. Mas não chega. É necessário aceitar e validar o que estamos a sentir. Só assim conseguimos “fazer as pazes” com a experiência e soltar a carga emocional, para estar disponíveis para fazer diferente.
REFOCUS
Por fim, é hora de dirigir a atenção. Primeiro, para tarefas de autorregulação que devolvem energia e clareza. Depois, para aspetos da performance que estão de facto sob o nosso controlo. Esse foco disciplinado é o que aumenta a probabilidade de êxito em cada situação.
No treino psicológico com atletas, trabalhamos este processo através de ferramentas concretas:
- Mindfulness: cultivar presença sem julgamento;
- Visualização: ensaiar mentalmente cenários e respostas;
- Respiração consciente: regular ritmo e intensidade interna;
- Auto-diálogo: usar a linguagem como recurso de foco e confiança.
Embora existam protocolos para aplicar estas técnicas, o verdadeiro impacto surge quando são integradas numa narrativa pessoal que faça sentido para o atleta. Uma narrativa que reflita objetivos ajustados, que dê coerência ao esforço e que fortaleça a autoimagem.
Tal como qualquer habilidade desportiva, a gestão do stress exige treino intencional e repetição. Não se trata de “truques rápidos”, mas de construir competências sólidas que, praticadas ao longo do tempo, aumentam as probabilidades de sucesso e, sobretudo, de bem-estar.
No fim, stress não é inimigo. É um sinal de que algo importa. Cabe-nos aprender a responder de forma que transforme a ameaça em oportunidade de crescimento.
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