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Toda a comunicação social e a comunicação alternativa fizeram artigos sobre as perspectivas deste ano. Lemos atentamente pelo menos dez meios de informação e opinião (The Atlantic, The New York Times, The Economist, Le Monde, The Guardian, The Telegraph, BBC International, duas CNN, Al Jazzeera) e incontáveis substacks.

A primeira coisa a mudar este ano é o nome dos meios fiáveis. Toda a informação social “antiga” (legacy media, chamam-lhe os americanos) passa a chamar-se Informação Tradicional e a “nova” passa a ser Informação de Autor. Isto porque os posts no Facebook, Instagram, X e Tik-Tok passaram para a frente, inclusive sendo usados pela Informação Tradicional. Os substacks, que vieram substituir os blogues e são pagos opcionalmente pelo leitor, também estão incluídos neste grupo, na dianteira da informação/opinião. Um exemplo que consideramos típico desta mudança é do jornalista/Prémio Nobel de Economia, Paul Krugman, ter-se despedido do The New York Times, onde se sentia condicionado, para publicar num substack próprio.

Outro bom exemplo é o historiador escocês Philips O’Brian, cujas opiniões só os seus alunos do Scottish Centre for War Studies conheciam e que também criou o seu substack. Alguns substacks, como o MeidasTouch, ultrapassam os mídia tradicionais em audiência.

As televisões norte-americanas, todas metidas no colete de forças de Trump, porque dependem de licenças do governo para operar, deixaram de ser 100% confiáveis. E a olímpica BBC está envolvida numa disputa, depois de a sua imparcialidade ter sido posta em causa.

Colocados estes preliminares, vamos ver o que dizem os que se atrevem a fazer prognósticos antes do fim do jogo.

Os Estados Unidos comemoram 250 anos, efeméride que se presta para leituras irreconciliáveis da primeira democracia dos tempos modernos. O ano será de Trump, mesmo que os democratas ganhem a Câmara dos Representantes nas eleições intercalares. As tarifas de importação, e os decretos-lei do Presidente continuarão impávidos numa jornada de pseudo-nacionalismo e ego imperial. Não há nada que ninguém possa fazer para o contrariar, uma vez que o Supremo Tribunal lhe deu carta branca.

A nível universal, duas tendências estão em debate: uma nova Guerra Fria entre a China e os Estados Unidos, ou um planeta dividido por quatro esferas de influência — Estados Unidos, China, Rússia e BRICS: Brasil, Egipto, Etiópia, India, Indonésia, Irão, África do Sul e Emirados Árabes Unidos (A China e a Federação Russa também são BRICS mas agem independentemente).

Note-se que a União Europeia desapareceu do topo da contenda. É apenas um grupo de países agarrados uns aos outros para não desaparecerem militar e economicamente.

Pode ser que a frágil paz em Gaza se aguente, mas sou dos que acham que não vai acontecer, enquanto Israel, Hamas e o Irão não mudarem de liderança. Aliás continua a não haver paz nenhuma, com maldades esporádicas de parte a parte.

O conflito na Ucrânia continuará, evidentemente. Os norte-americanos limitar-se-ão a ganhar toneladas de dinheiro com o armamento que vendem à Europa para dá-lo à Ucrânia.

Sudão e Myanmar continuarão as suas guerras civis, uma vez que ninguém se preocupa em resolver aqueles conflitos e sempre se vão vendendo munições a todos os lados.

A situação no mar da China tenderá a piorar. Aliás, se os Estados Unidos se sentem no direito de invadir a Venezuela e reivindicar a Groenlândia, não há nenhuma contra-razão para os chineses invadirem Taiwan. Se o fizerem, o país mais adiantado em produção de componentes electrónicos voltará à Idade da Pedra.

A economia mundial não crescerá, devido à guerra tarifária imposta por Trump. Na melhor hipótese, estagna; na pior pode entrar em crise. Há que levar em conta que as maiores economias estão em crise, com os países ricos a viver acima dos seus meios e com as despesas militares a crescer. Mas a crise atingirá as pessoas mais pobres; os ricos estão a aumentar os seus ativos a um ritmo borbulhante. Uma nota interessante é que a Índia passa a quarta potência em produção industrial.

A IA continuará a melhorar e a crescer, com as piores consequências: aumento da diferença entre pobres e ricos (pessoas, não países), aumento do desemprego, utilização mais intensiva nas guerras. Basta pensar no salto que os drones deram nos últimos anos. Nenhum país quer fiscalizar ou controlar o crescimento da sua IA para não perder uma corrida que só ganhará importância de ano para ano.

Quanto ao clima, continua tudo na mesma. A famosa limitação de não aquecer mais do que 1,5% em relação à pré-revolução industrial do século XIX permanece inatingível. Não se pode fazer tudo: armar e produzir por um lado, reduzir o aquecimento global por outro.

Finalmente, há as previsões impossíveis de prever: o futuro da Síria, por exemplo. A disputa entre os Estados Unidos e a Dinamarca em relação à Groenlândia, outro exemplo.

Sou suficientemente velho para me lembrar da euforia das décadas de 1960-70. Parecia que tudo estava a caminhar para melhor, desde a música à liberdade individual, paz e amor. Mas sou suficientemente novo para acreditar que este ciclo de aparente falência – valores, poderes, esperança – é apenas um ciclo, na eterna roda de 360 graus entre a esperança e o desespero.

A Humanidade saberá sempre como sobreviver – até deixar de saber.

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