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O anúncio do teste foi feito no domingo por Vladimir Putin, que garantiu que o míssil — conhecido como Burevestnik — representa um “avanço único” no arsenal russo e que faz parte dos esforços para “garantir a segurança nacional” do país.

Questionado por jornalistas a bordo do Air Force One nesta segunda-feira, Trump afirmou que o líder russo deveria concentrar-se em pôr fim à guerra na Ucrânia em vez de testar novas armas. “Temos um submarino nuclear mesmo ao largo das suas costas, que não precisa de percorrer grandes distâncias”, disse o presidente norte-americano, acrescentando: “Nós testamos mísseis o tempo todo”.

De acordo com o The Guardian, Putin, vestido com uniforme militar durante uma reunião com os principais generais russos, celebrou o teste como “um marco tecnológico sem precedentes”. O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, informou que o míssil percorreu cerca de 14 mil quilómetros durante 15 horas de voo, no ensaio realizado na passada terça-feira.

O conselheiro presidencial Sergei Ryabkov afirmou que Moscovo notificou previamente Washington sobre o teste.

Putin apresentou pela primeira vez o Burevestnik em 2018, descrevendo-o como uma arma “invencível”, capaz de evitar os sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos e de ter “alcance praticamente ilimitado”. No entanto, especialistas internacionais continuam céticos quanto às suas capacidades.

“O míssil nuclear russo Burevestnik não é invencível. Pode ser intercetado por aeronaves da NATO”, sublinha Jeffrey Lewis, especialista em proliferação nuclear do Middlebury Institute, na Califórnia, citado pelo The Guardian. “O problema é que representa mais um passo numa corrida armamentista em que ninguém sairá vencedor”.

O momento do teste coincide com o agravamento do discurso nuclear do Kremlin e com o colapso das conversações entre os EUA e a Rússia sobre o conflito ucraniano. Na semana passada, Putin supervisionou exercícios estratégicos das forças nucleares russas, incluindo lançamentos simulados de mísseis, e advertiu que Moscovo responderá de forma “muito séria, se não esmagadora”, caso a Ucrânia utilize mísseis ocidentais em ataques no interior da Rússia.

O teste ocorre ainda num contexto de crescente tensão económica entre os dois países. As relações entre Trump e Putin deterioraram-se nos últimos dias, depois de Washington ter anunciado sanções inesperadas contra duas das maiores petrolíferas russas e dezenas de subsidiárias, medidas que podem afetar severamente as receitas energéticas do Kremlin.

A irritação em Moscovo ficou patente também nas declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, que criticou publicamente a nova postura da Casa Branca em relação à guerra. Em entrevista a um jornalista húngaro, Lavrov condenou a proposta de Trump para um cessar-fogo imediato e o congelamento das linhas da frente, e sublinhou que a Rússia “não aceitará um acordo que legitime a agressão ucraniana”.

Apesar das reiteradas declarações de Moscovo e Washington sobre o desejo de travar a corrida ao armamento, pouco foi feito nesse sentido. Pelo contrário, o Kremlin tem endurecido a sua doutrina nuclear — no ano passado, reduziu formalmente o limiar de uso de armas atómicas e colocou em operação o míssil tático Oreshnik na frente ucraniana.

A intensificação da retórica militar e o teste do Burevestnik — o mesmo sistema cuja tentativa falhada em 2019 causou uma explosão fatal no Ártico — indicam que o equilíbrio estratégico entre as duas potências está, mais uma vez, em risco.

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