O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a medida foi tomada “devido à recusa da Meta em cumprir a legislação russa”. Segundo ele, a empresa poderia retomar suas atividades no país caso “aceite a lei e dialogue com as autoridades”. Perguntado sobre se os russos seriam obrigados a usar o Max, Peskov disse que o aplicativo estatal é apenas “uma alternativa disponível”.

Além do WhatsApp, o regulador russo Roskomnadzor anunciou restrições adicionais ao Telegram, popular entre cidadãos e forças russas na Ucrânia, citando questões de segurança. Bloggers pró-governo relataram que a medida tem dificultado a comunicação local.

A Rússia vinha desenvolvendo alternativas domésticas à internet global desde antes da invasão da Ucrânia em 2022, um movimento que se intensificou com a promoção do Max, amplamente divulgada em campanhas de TV, outdoors e mídias locais. Críticos apontam que a plataforma pode ser usada para vigilância, embora autoridades neguem.

Segundo o governo, WhatsApp e Telegram não armazenam dados de usuários russos em território nacional, conforme exige a lei, e o WhatsApp é apontado como um canal para fraudes e extorsões, argumento usado para incentivar a migração para o Max.

O WhatsApp reagiu afirmando que “isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação segura é um retrocesso, que compromete a segurança dos russos”.

A agência estatal Tass informou que o bloqueio do WhatsApp deve ser permanente em 2026. Desde 2022, a Meta foi classificada como organização extremista na Rússia, e seus aplicativos, como Instagram e Facebook, só podem ser acessados por VPN.

Relatórios do projeto de direitos digitais Na Svyazi indicam que a Rússia tem removido diversos sites do seu diretório nacional de endereços, incluindo YouTube, Facebook, WhatsApp Web, Instagram, BBC e Deutsche Welle, dificultando o acesso sem VPN.