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Nos últimos anos, a Microsoft construiu uma imagem de empresa aberta à flexibilidade laboral, permitindo que muitos dos seus colaboradores dividissem o tempo entre o escritório e o teletrabalho. Contudo, essa realidade poderá estar prestes a mudar. Segundo informações avançadas pela Business Insider, a empresa liderada por Satya Nadella estará a considerar impor um regime de três dias presenciais por semana para a maioria dos seus trabalhadores, alinhando-se assim com uma tendência de maior controlo já seguida por outras gigantes tecnológicas.

Até agora, a Microsoft mantinha uma política relativamente equilibrada: cerca de metade do tempo poderia ser passado fora do escritório, permitindo aos funcionários gerir de forma mais autónoma a sua vida profissional e pessoal. Mas rivais diretos, como a Amazon, já avançaram com medidas mais rígidas, exigindo a presença quase integral dos trabalhadores nos seus principais polos de atividade. Face a esta pressão competitiva, a empresa parece disposta a rever as suas regras de flexibilidade.

Um porta-voz da Microsoft confirmou que estão a ser estudadas alterações, ainda sem caráter oficial. Os rumores apontam para que a decisão seja anunciada em setembro de 2025, com implementação progressiva a partir de janeiro de 2026. No entanto, a política poderá variar consoante a localização geográfica e as necessidades específicas de cada unidade de negócio.

Esta potencial mudança surge num contexto de grande instabilidade para os trabalhadores. Nos últimos meses, a Microsoft avançou com despedimentos significativos: em julho de 2025, cerca de 9 mil postos de trabalho foram eliminados, e dois meses antes, em maio, outros 6 mil colaboradores tinham já perdido o emprego. A empresa tem igualmente ajustado os seus mecanismos internos de avaliação de desempenho, acelerando processos de saída de funcionários considerados menos produtivos.

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Satya Nadella, presidente executivo da empresa, admitiu que as recentes medidas de despedimento lhe têm causado preocupação pessoal, mas justificou a reestruturação com a necessidade de adaptação às novas exigências dos clientes. O gestor comparou a atual transformação à vivida nos anos 1990, altura em que os computadores pessoais e o software se massificaram, obrigando a mudanças profundas no modelo de negócio.

Tendência: funcionários mais dias nos escritórios

O regresso ao trabalho presencial começa a ser mais frequente. O governo da província canadiana de Ontario vai exigir que mais de 60 mil funcionários públicos regressem ao escritório cinco dias por semana, a partir de janeiro de 2026. A decisão, anunciada por Doug Ford, tem gerado forte contestação sindical.

O plano será implementado de forma gradual: a partir de 20 de outubro de 2025, os trabalhadores que já compareciam no escritório três dias por semana terão de passar a ir quatro. Poucos meses depois, em 5 de janeiro de 2026, será exigida a presença em tempo integral. Embora existam exceções pontuais, negociadas caso a caso, a orientação geral é clara: a função pública deve regressar a um modelo pré-pandemia.

Caroline Mulroney, presidente do Conselho do Tesouro de Ontário, justificou a medida afirmando que esta “reflete o atual panorama laboral da província” e reforça o compromisso de proximidade com as comunidades e empresas servidas pela administração pública. A responsável lembrou ainda que mais de metade dos funcionários já trabalha presencialmente, devido à natureza das suas funções, nomeadamente em áreas como segurança, transportes, ambiente e agricultura.

O anúncio, no entanto, não caiu bem junto dos sindicatos. A Ontario Public Service Employees Union (OPSEU) acusou o governo de agir de forma unilateral, sem consulta significativa aos trabalhadores, e de impor a decisão em plena fase de negociações coletivas. Segundo o sindicato, a ordem foi comunicada apenas uma hora antes da divulgação pública, através de um memorando confidencial, sem espaço para discussão.

Também Dave Bulmer, presidente do sindicato AMAPCEO, que representa 14 mil funcionários públicos, manifestou indignação, classificando a decisão como um “retrocesso” e garantindo que continuará a lutar pelo direito a regimes de trabalho alternativos. Bulmer acusou o governo de “arrastar a função pública para a Idade da Pedra” e prometeu resistência organizada.

Doug Ford, por seu lado, defendeu a medida como necessária não só para aumentar a produtividade, mas também para revitalizar o comércio local. “Como é que se orienta um colega por telefone? Não se consegue. É preciso olhar olhos nos olhos”, afirmou numa conferência de imprensa em Pickering. O primeiro-ministro destacou ainda o impacto económico positivo que a presença diária dos trabalhadores terá nas zonas urbanas, sobretudo para restaurantes e pequenos negócios que dependem do movimento gerado pelos escritórios.

Um estudo global da KPMG, de 2024, indica que 83% dos presidentes executivos acreditam no regresso ao regime presencial integral até 2026.

A sondagem evidencia também diferenças geracionais entre gestores. Entre os CEOs com idades entre os 60 e os 69 anos, 87% acreditam que o modelo híbrido desaparecerá em breve. Já entre os que se situam na faixa etária dos 40 aos 49 anos, a percentagem desce para 75%. Esta disparidade sugere que os líderes mais experientes tendem a valorizar mais a presença física no local de trabalho, em contraste com uma geração mais jovem de executivos, potencialmente mais aberta à flexibilidade.

Dados da Kastle Systems e da consultora Avison Young mostram que a ocupação de escritórios continuava em torno de 60% face aos níveis registados antes da pandemia, em 2019. A discrepância entre a vontade dos executivos e o comportamento dos trabalhadores mantinha-se como um dos maiores desafios para as empresas.

Segundo Nhlamu Dlomu, responsável global de Recursos Humanos da KPMG International, está a abrir-se um fosso entre as expectativas dos presidentes executivos e as preferências dos colaboradores. “As empresas estão a enfrentar uma proposta de valor em transformação, com trabalhadores que procuram maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal”, afirmou.