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Donald Trump voltou a colocar a Gronelândia no centro da agenda internacional. O Presidente dos Estados Unidos afirmou que não vai “abdicar de opções” para adquirir a ilha e disse acreditar que “alguma coisa dará certo”, reforçando a ideia de que o território é um objetivo estratégico para Washington, “a bem ou a mal”.

A declaração reacendeu um debate antigo, mas cada vez mais atual: o que leva os Estados Unidos a insistirem numa ilha gelada, autónoma da Dinamarca, com pouco mais de 56 mil habitantes? A resposta cruza geografia, segurança, recursos naturais e rivalidades globais.

Com 81% da superfície coberta por gelo, a Gronelândia é a maior ilha do mundo e tem uma área superior à soma de França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido. Situada no Ártico, entre o Atlântico Norte e o polo, está mais próxima de Nova Iorque do que de Copenhaga, um detalhe geográfico que ajuda a explicar o interesse histórico dos Estados Unidos. Washington mantém uma base militar ativa em Pituffik, no nordeste da ilha, considerada uma peça-chave do sistema antimíssil norte-americano.

Não é uma presença nova. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Dinamarca foi ocupada pela Alemanha nazi, os Estados Unidos assumiram o controlo da Gronelândia e nunca abandonaram totalmente o território. Hoje, num contexto de crescente tensão com a Rússia e de competição estratégica com a China, Trump acusa Copenhaga de não garantir adequadamente a segurança da ilha — uma crítica rejeitada pelas autoridades dinamarquesas.

Mas o gelo esconde mais do que questões militares. O subsolo da Gronelândia é visto como um dos últimos grandes reservatórios inexplorados de matérias-primas críticas. O território tem identificados 25 dos 34 minerais considerados essenciais pela União Europeia, incluindo terras raras, fundamentais para a transição energética, a indústria tecnológica e a defesa.

Os Estados Unidos assinaram em 2019 um memorando de cooperação com a Gronelândia no setor mineiro; a União Europeia seguiu o mesmo caminho quatro anos depois. Empresas como a Amaroq preparam projetos de extração de ouro, zinco, chumbo, prata e minerais críticos, com produção prevista a partir de 2027 ou 2028, segundo o jornal Contacto.

Economicamente, a ilha continua dependente de uma subvenção anual da Dinamarca, que representa cerca de um quinto do seu PIB. Politicamente, tem estatuto de autonomia, com parlamento e governo próprios, mas a defesa e a política externa permanecem sob controlo de Copenhaga. Integra a NATO desde 1949, saiu da União Europeia em 1985, mas mantém um estatuto especial de associação.

É neste cruzamento entre fragilidade económica, valor estratégico e competição global que a Gronelândia volta a surgir no discurso de Trump. Segundo o New York Times, se o Presidente norte-americano conseguisse concretizar a aquisição, esta seria a maior expansão territorial da história dos Estados Unidos, maior até do que a compra do Alasca.

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