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Eclipses do Sol
Embora ocorram com frequência idêntica à dos eclipses lunares, os eclipses do Sol são de mais difícil observação num mesmo lugar, pois apenas são visíveis a partir de uma estreita faixa da superfície terrestre, ao contrário dos da Lua, que podem ser vistos de toda a metade da Terra para ela voltada. Tal como sucede nos eclipses lunares, uma das condições para que o fenómeno ocorra é que os três astros estejam alinhados no espaço, mas neste caso entra também em jogo a distância entre a Terra e a Lua, bem como entre a Terra e o Sol.
Por um lado, apesar de a Lua se encontrar em fase de Lua Nova e alinhada com a Terra e o Sol, pode estar suficientemente afastada para que a sua sombra não atinja a Terra. Nessa situação, aos observadores terrestres, a Lua surge como um pequeno disco escuro sobre o disco solar, deixando visível um anel luminoso — fenómeno designado por «eclipse anular» (1). Por outro lado, quando a Terra se encontra mais próxima do Sol (e, consequentemente, a Lua também), o diâmetro aparente do disco solar aumenta, o que influencia as características do eclipse.
A designação de eclipse parcial é atribuída ao fenómeno que ocorre se o alinhamento entre os três astros não é perfeito (se o cone de sombra da Lua passa consideravelmente abaixo ou acima da parte central do disco do Sol), embora o termo possa também ser aplicado ao caso dos eclipses anulares ou às fases anterior ou posterior à totalidade de um eclipse solar.
É de ter em conta que um mesmo eclipse apresenta aspe- tos diferentes a observadores colocados em lugares diversos, ou seja, com latitude e longitude diferentes. Por exemplo, o eclipse anular de 3 de outubro de 2005 foi visto em Bragança como um anel perfeito, enquanto em Lisboa o disco escuro da Lua estava deslocado para a esquerda e para cima do disco solar e em Faro tal deslocamento foi ainda mais acentuado.
Quem tenha a possibilidade de observar um eclipse solar total dirá — certamente — que não há fenómeno natural mais espetacular e comovente! Mesmo na atualidade, em que sabemos bem por que acontece tal fenómeno e somos capazes de prever as posições da Lua e do Sol na esfera celeste, os momentos mais interessantes do eclipse e a sua duração, são frequentes as expressões de espanto de astrónomos experimentados quando, em pleno dia, começa a escurecer lentamente até que, quase de repente, se faz uma noite estranha, com «cor de chumbo», o Sol mostra uma espécie de anel brilhante no último ponto que a Lua vai tapar e, a seguir, algumas «labaredas» (protuberâncias) cor de rosa. Avistam-se as estrelas mais luminosas, sente-se vento e um arrefecimento quase repentino. Aves e outros animais que costumam recolher-se à noite emitem os sons habituais de tais ocasiões!
Lembremos que a Lua orbita a Terra a uma velocidade próxima de 3670 km/h e que essa seria a velocidade da sua sombra sobre a superfície terrestre, de oeste para leste. No entanto, como o nosso planeta está em rotação no mesmo sentido, a terra como que «foge» à sombra lunar, obrigan- do a que, à velocidade atrás referida, se tenha de subtrair a velocidade da Terra na região do eclipse, a qual depende da latitude. Assim, na região equatorial, onde qualquer ponto (em terra ou no mar) se desloca à velocidade de 1670 km/ hora, a sombra lunar desloca-se, para leste a 2000 km/h, ao passo que em Lisboa (onde a velocidade é de cerca de 1280 km/h), a sombra é mais rápida (2400 km/h). Ora, se a sombra viaja mais depressa, a duração do eclipse é menor, razão por que tais fenómenos são mais longos em regiões próximas do equador e quase instantâneos nas proximidades dos polos.
Os próximos eclipses do Sol
Embora Portugal não esteja nas melhores circunstâncias para observar os mais notáveis eclipses solares dos próximos tempos (2), não será muito difícil a deslocação a regiões próximas, na Europa ou no Norte de África.
Já a 12 de agosto deste ano, a faixa de totalidade estender-se-á desde a Islândia, pelo Atlântico Norte e atravessará Espanha até ao Mediterrâneo, incluindo as ilhas Baleares. Em Portugal, o eclipse será visto como parcial (embora em percentagem elevada de ocultação do disco solar) à exceção de uma extremidade da região de Bragança (Rio de Onor), onde se observará a totalidade, durante 26 segundos.
Em 2 de agosto de 2027, o eclipse total começará em pleno Atlântico, dirigindo-se a sombra lunar para a entrada do Mediterrâneo (Estreito de Gibraltar), passando sobre Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito e Arábia Saudita, terminando no oceano Índico.
Trata-se de um dos mais notáveis eclipses solares, pelo menos no que respeita à duração da fase de totalidade, que será ligeiramente superior a 6 minutos, muito perto da du- ração máxima possível. Embora não seja possível ver a fase de totalidade, a partir de Portugal, o sul do país verá mais de 90 por cento do Sol tapado pela Lua, muito semelhante ao que vai acontecer em boa parte do território nacional, no eclipse de 12 de agosto deste ano de 2026.
(1) O termo deriva do latim annulus, que em português significa anel.
(2) O último eclipse total do Sol observado em Portugal ocorreu em 1912. Os cálculos sugerem que, num mesmo lugar, em média, se observará um eclipse solar total em cada 410 anos!
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