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O estudo, publicado na revista Antiquity, mostrou que os tatuadores Pazyryk possuíam elevada perícia técnica. As tatuagens do braço direito da múmia revelam maior detalhe e diversidade visual do que as do braço esquerdo, provavelmente resultado de duas sessões distintas. A colocação estratégica dos desenhos, como um felino destacado pela curvatura do pulso, evidencia planeamento artístico.

A qualidade das linhas, feitas com técnicas manuais de “hand-poke”, iguala ou até supera padrões modernos, o que sugere que a tatuagem era uma arte especializada, exigindo treino formal e elevada sensibilidade estética. É possível que os trabalhos tenham sido realizados por dois artistas diferentes ou pelo mesmo em fases distintas de formação.

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Para os investigadores, o achado aproxima-nos das pessoas por trás da arte, permitindo reconhecer a tatuagem não apenas como decoração simbólica, mas como uma prática artesanal complexa, semelhante ao trabalho de tatuadores contemporâneos, segundo a CNN.

A mulher estudada viveu há mais de 2.000 anos e pertencia à cultura Pazyryk, um povo nómada da Idade do Ferro que habitava a região das montanhas Altai, na Sibéria. Os túmulos Pazyryk, escavados em solos de permafrost, preservaram de forma excecional tecidos, pele e artefactos, permitindo que as tatuagens sobrevivessem até aos dias de hoje. O novo estudo, conduzido por Gino Caspari, do Instituto Max Planck de Geoantropologia e da Universidade de Berna, e publicado na revista científica Antiquity, recorreu a fotografia de alta resolução no infravermelho próximo e a modelação 3D para analisar com detalhe os desenhos corporais. A equipa colaborou ainda com tatuadores contemporâneos para interpretar as técnicas, ferramentas e processos usados na época.

A investigação revelou diferenças marcadores entre os dois braços da múmia: o direito exibe tatuagens mais complexas, detalhadas e visualmente variadas do que o esquerdo, o que sugere que o trabalho terá sido realizado em duas sessões ou por artistas distintos, um deles mais experiente. Os motivos incluem figuras de animais, como felinos e criaturas equinas, bem como elementos ornamentais e estilizados. O design mostra planeamento cuidadoso, aproveitando, por exemplo, a curvatura do pulso para dar fluidez ao conjunto e destacar um felino como foco principal.

A precisão das linhas, claras e consistentes, surpreende mesmo tatuadores modernos, já que foi obtida com métodos manuais de “hand-poke”, sem equipamento mecânico. Este nível de destreza indica que a tatuagem era, para os Pazyryk, uma prática artesanal especializada que exigia treino formal, sensibilidade estética e elevada competência técnica. Mais do que decoração ou símbolo social, estas marcas corporais surgem como expressão de identidade e estatuto, possivelmente com significados rituais. Apesar dos avanços, permanecem questões por esclarecer, como os pigmentos e ferramentas exatas utilizadas, o papel social das tatuagens e as influências culturais que moldaram o seu estilo.