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Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, mais conhecida como Anita Guerreiro, morreu este fim-de-semana aos 89 anos.
A notícia foi avançada pelo apresentador João Baião, através de uma publicação no Instagram.
Nascida a 13 de novembro de 1936, destacou-se desde cedo pela sua voz e presença em palco. Aos sete anos já cantava em família e na colectividade Sport Clube do Intendente, no bairro onde cresceu.
A carreira profissional começou em 1952, quando participou no programa radiofónico “Tribunal da Canção”, do “Comboio das Seis e Meia”. A sua prestação impressionou o produtor Marques Vidal, que a retirou do concurso e a lançou como Anita Guerreiro, estreando-a no Café Luso. Desde então, a crítica e o público reconheceram de imediato o seu talento, destacando canções como “Menina Lisboa” e a sua interpretação de temas populares e fadistas, que rapidamente a tornaram numa das artistas mais aplaudidas do teatro de revista.
Nos anos 50 e 60, Anita brilhou em revistas como “Ó Zé aperta o laço” e “Festa é Festa”, e participou no filme “Lisbon” (1956), cantando “Lisboa Antiga”. Criou ainda a Adega da Anita, um espaço de referência para fadistas no Parque Mayer. A artista viveu em Angola durante três anos, regressando depois a Lisboa, onde integrou o elenco do Teatro Capitólio e consolidou a sua carreira.
Anita Guerreiro destacou-se por sucessos como “Cheira a Lisboa”, e recebeu prémios como o Prémio Estevão Amarante (1970) e a Guitarra de Ouro em África. Apesar de períodos de afastamento, manteve a carreira internacional, atuando pela Europa, no Canadá e nos Estados Unidos, onde recebeu Óscares de Popularidade em 1987 e 1988.
No regresso a Portugal, expandiu a sua carreira à televisão, participando em telenovelas e séries como “Primeiro Amor”, “Roseira Brava”, “Uma Casa em Fanicos”, “Nunca Digas Adeus” e “Sentimentos”, além do cinema com “Morte Macaca” (1997).
Foi madrinha de diversas marchas populares na capital, incluindo da “Marcha dos Mercados” entre 2006 e 2015.
A sua discografia inclui compilações como “O Melhor dos Melhores” (1994) e “Antologia 50 Anos de Teatro em Revista (1955-2000)” (2005), reunindo muitos dos êxitos que marcam a sua carreira. O Município de Lisboa reconheceu-lhe a relevância cultural, atribuindo-lhe o Pelourinho de Prata (2001) e a Medalha Municipal de Mérito, Grau de Ouro (2004).
Anita Guerreiro deixa um legado inestimável, fruto de mais de cinco décadas de dedicação à música, ao teatro e à cultura portuguesa, permanecendo como uma das vozes mais icónicas do fado e do teatro de revista.
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