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De acordo com os dados divulgados pelo Pulso Eleitoral, o antigo secretário-geral do PS deverá obter 57,7% dos votos válidos, contra 34,4% de André Ventura, uma diferença de 23,3 pontos percentuais.
O modelo recorreu a mil simulações Monte Carlo, simulando o comportamento de milhares de eleitores virtuais com diferentes perfis demográficos e ideológicos. Em todas as simulações realizadas, António José Seguro saiu vencedor, o que levou os autores do estudo a atribuir um nível de confiança de 100% à previsão. O desvio padrão estimado é de apenas ±0,6%, indicando uma elevada estabilidade dos resultados.
Apesar da clareza do cenário traçado pelo modelo, subsiste incerteza quanto à transferência de votos dos candidatos eliminados na primeira volta. João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes, que terminaram nas terceira, quarta e quinta posições, respetivamente, não anunciaram qualquer apoio formal a um dos finalistas.
A simulação alerta também para níveis elevados de abstenção, que poderão atingir os 33,9%, um valor que, a confirmar-se, constituiria um recorde negativo em eleições presidenciais. Segundo o modelo, esta tendência resulta sobretudo da dificuldade de parte do eleitorado em escolher entre os dois candidatos da segunda volta.
Entre os eleitores de Cotrim de Figueiredo, a probabilidade de abstenção é de 33,26%, enquanto nos apoiantes de Gouveia e Melo é de 33,39%. No caso dos votantes de Luís Marques Mendes, a taxa estimada sobe para 33,51%. Já no campo da esquerda, os eleitores de Catarina Martins apresentam uma probabilidade de não votar de 38,45%, valor que aumenta para 39,48% entre os apoiantes de António Filipe.
Entretanto, o CDS-PP anunciou que não apoiará nenhum dos candidatos na segunda volta. O partido, liderado por Nuno Melo e que tinha apoiado Luís Marques Mendes na primeira volta, justificou a decisão com a rejeição simultânea do “socialismo” e do “populismo”, optando por uma posição de equidistância.
O Tribunal Constitucional já definiu, por sorteio, a ordem dos candidatos no boletim de voto da segunda volta, com António José Seguro a surgir em primeiro lugar e André Ventura em segundo. Embora aleatória, esta ordem poderá ter um impacto marginal no resultado.
Uma sondagem, todos os dias
O 24notícias publica uma sondagem diária baseada no Pulso Eleitoral, uma plataforma desenvolvida pela Deployer.pt que combina Inteligência Artificial, modelação preditiva e simulações estatísticas para estimar as probabilidades de vitória nas eleições presidenciais.
Na segunda volta, o Pulso Eleitoral regressa com uma atualização importante do seu motor de previsão, centrada na recalibração técnica do modelo e na adaptação do sistema ao novo contexto de confronto direto.
No centro desta evolução está o ABM (Agent-Based Model), ou modelo baseado em agentes, que representa o eleitorado como um conjunto de “agentes” com comportamentos e probabilidades de transição de voto, permitindo simular dinâmicas típicas entre voltas, como redistribuição de intenções, consolidação de preferências e variações de participação. Este ABM é complementado por Inteligência Artificial e por simulações de Monte Carlo, executando milhares de cenários para estimar não apenas um resultado, mas um leque de resultados prováveis, com margens de incerteza e probabilidades associadas.
A recalibração técnica agora aplicada tem um objetivo prático: aprender com o que já aconteceu na primeira volta e ajustar parâmetros do modelo para tornar as projeções da segunda volta mais estáveis, coerentes e sensíveis às condições reais do processo eleitoral.
Desempenho na primeira volta
Na primeira volta, o Pulso Eleitoral registou um desempenho de grande precisão ao acertar em todas as primeiras posições previstas e, com exceção de Manuel João Vieira, ao acertar também na ordem correta do ranking.
O Pulso Eleitoral mantém a atualização contínua das projeções e a publicação transparente de metodologia, acompanhando a evolução do cenário até ao dia de votação.
Na primeira volta, ao contrário das sondagens tradicionais, que captam apenas um instante no tempo, esta ferramenta funcionou como um laboratório contínuo de cenários eleitorais: agregou todas as sondagens publicadas em Portugal, ponderou a sua fiabilidade com base na recência, dimensão da amostra e histórico de precisão de cada empresa de sondagens, e cruzou esses dados com a análise da cobertura mediática dos candidatos. A partir daí, o sistema correu 50.000 simulações diárias do ato eleitoral, introduzindo pequenas variações realistas, como margens de erro, flutuações de abstenção e transferências de votos de última hora.
O resultado não foi uma intenção de voto, mas sim uma probabilidade de vitória, ou seja, a percentagem de vezes que cada candidato venceria se as eleições fossem repetidas milhares de vezes nas condições atuais.
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