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No dia em que a situação alargada a mais nove concelhos, Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga, e prorrogada até 8 de fevereiro, devido aos danos e ao risco de cheias nos próximos dias, o Conselho de Ministros extraordinário aprovou um conjunto de medidas no valor de 2,5 mil milhões de euros para apoiar a reconstrução, incluindo moratórias de créditos, apoio a seguros e a recuperação de habitações.

Depressão Kristin. 2500 milhões de euros em apoios para quem e como aceder
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O Presidente da República elogiou as medidas, considerando que representam uma “panóplia de intervenções impressionante”, e salientou a possibilidade de alargar o apoio a mais locais ou aumentar os valores em caso de necessidade. Marcelo Rebelo de Sousa voltou a defender a criação de uma comissão técnica independente para avaliar a passagem da tempestade, lembrando que cabe à Assembleia da República decidir sobre essa comissão. O Presidente afirmou ainda que acompanhará de perto a situação nos 35 dias que lhe restam de mandato, considerando-a uma prioridade na transição para o próximo Presidente da República.

As populações ainda estão isoladas?

A E-Redes reportou que cerca de 167 mil pontos de ligação ainda permanecem sem eletricidade em Portugal continental, sobretudo na região de Leiria. O restabelecimento da energia vai ser mais lento, uma vez que se está a passar da média tensão para a baixa tensão e porque as intervenções são de maior número e complexidade. Algumas localidades permanecem isoladas, como a Praia da Vieira, que está há cinco dias sem luz nem internet, onde moradores e voluntários trabalham lado a lado para responder às necessidades básicas.

O abastecimento de água em Porto de Mós já está garantido a 100% graças a 15 geradores, embora ainda haja falta de energia e problemas de comunicações em metade do concelho.

Na Sertã, os pontos críticos incluem Herdade, Santo Abril, Santa Rita e Foz da Sertã, com novas ruturas a surgirem em diferentes locais.

Em Pedrógão Grande, o apelo ao uso responsável de água e energia permanece ativo, e os problemas só serão resolvidos à medida que se limpam os acessos aos depósitos.

Que acessos abertos e que transportes estão a funcionar?

Algumas estradas já foram reabertas, como a EN238 entre Cernache do Bonjardim e Vale da Ursa, e a estrada entre o Brejo da Correia e Porto dos Fusos. Contudo, a Autoestrada 24 (A24), entre os nós de Valdigem e Lamego, permanece encerrada por risco sério de derrocada, sem previsão de reabertura.

Em Alcácer do Sal, a Avenida dos Aviadores e a frente ribeirinha foram reabertas, assim como as estradas que dão acesso a São Romão, Santa Catarina, Casebres e ao percurso entre Vale do Guizo e Arez, mas poderão voltar a fechar esta noite devido à subida do Rio Sado.

Nos transportes ferroviários, o serviço Intercidades entre Coimbra B e Guarda foi retomado, assim como o serviço regional entre Entroncamento e Soure. No entanto, várias linhas continuam suspensas, incluindo os comboios urbanos de Coimbra, a Linha do Norte entre Braga e Lisboa, a Linha do Douro entre Régua e Pocinho e a Linha do Oeste.

Saúde e segurança

Na Marinha Grande, o policiamento foi reforçado junto a postos de combustível e locais críticos, com reforços da PSP provenientes de Lisboa, Aveiro e Vila Real.

Foram ativadas redes alternativas de comunicação e reforçada a vigilância em zonas críticas.

A PSP deixou dez conselhos de segurança para os próximos dias, incluindo evitar deslocações não essenciais, não atravessar zonas inundadas, manter distância de linhas de água e de cabos elétricos, não estacionar em locais baixos ou debaixo de árvores, e seguir rigorosamente a sinalização e os avisos oficiais.

  • Evitar deslocações não essenciais, sobretudo durante períodos de maior intensidade da precipitação.

  • Não atravessar zonas inundadas, túneis ou vias com lençóis de água, quer a pé, quer em viaturas.

  • Não praticar qualquer desporto náutico ou atividade marítima durante este período.

  • Não caminhar em pontões, molhes, praias, zonas costeiras ou ribeirinhas, devido ao risco de queda, galgamento costeiro e arrastamento.

  • Evitar a permanência junto a linhas de água, leitos de cheia e zonas sujeitas a transbordo.

  • Não estacionar viaturas em zonas que habitualmente inundam, nem em locais baixos como parques de estacionamento subterrâneos, caves ou garagens.

  • Não estacionar viaturas debaixo de árvores, postes ou estruturas instáveis, devido ao risco de queda provocado por vento forte ou solos saturados.

  • Manter distância de árvores, cabos elétricos, postes ou estruturas danificadas e nunca tocar em cabos caídos.

  • Respeitar rigorosamente a sinalização rodoviária e as indicações da Polícia de Segurança Pública e da Proteção Civil.

  • Manter-se atento às comunicações oficiais e aos avisos meteorológicos emitidos pelas entidades competentes.

O uso de geradores tem causado acidentes graves: um homem morreu no concelho de Leiria e cinco pessoas ficaram em estado grave em Fervença, concelho de Alcobaça, devido à inalação de monóxido de carbono. O Hospital de Leiria recebeu, até ao momento, 545 feridos, incluindo casos de traumatismos cranianos, fraturas e intoxicações. As autoridades alertam para que os geradores sejam usados sempre no exterior e que se evitem riscos desnecessários, como manter-se próximo de chaminés ou cabos elétricos danificados.

Confirmaram-se duas mortes, uma por queda de telhado e outra por intoxicação com gerador, e o Hospital de Leiria contabilizou 545 feridos até ao momento, incluindo traumatismos cranianos e fraturas. As autoridades continuam a alertar para que a população tenha precaução durante a recuperação de bens, lembrando que a pressa em salvar pertences pode gerar novos riscos.

Regresso às aulas

Em Pedrógão Grande e em outros concelhos afetados, as escolas mantêm-se encerradas devido à falta de condições de segurança, que incluem energia elétrica e limpeza dos espaços. O regresso às aulas só será possível quando essas condições forem asseguradas.

Um país movido pela solidariedade

A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima criou um Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da tempestade Kristin, que angariou 250 mil euros em menos de 48 horas, apesar das dificuldades de acesso à conta causadas pelos problemas de telecomunicações.

A Câmara de Leiria reforçou o apelo à doação de alimentos e artigos de higiene pessoal, devido ao surgimento de novas situações sinalizadas no terreno, os bens devem ser deixados na porta 10 do Estádio Municipal.

A campanha no meio da tragédia

 António José Seguro visitou locais afetados e destacou a solidariedade da população, afirmando que sentiu “alegria dentro da tristeza” ao ver portugueses de todo o país a ajudar as zonas atingidas. O candidato presidencial reforçou que o papel do Presidente da República é estar próximo das populações, dando-lhes voz, e defendeu a necessidade de planos de prevenção, incluindo a limpeza das florestas antes da época de incêndios.

O líder do Chega, André Ventura, durante visita ao quartel dos Bombeiros de Braga, afirmou que a sua prioridade não são as eleições presidenciais, mas sim garantir às pessoas o acesso a bens essenciais. Ventura criticou a abundância de estudos e comissões técnicas, deixando as preocupações eleitorais “para depois”.

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