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Numa altura em que nos habituámos a esperar anos entre temporadas, The Pitt (HBO) surpreende ao estrear a segunda temporada menos de um ano depois da primeira. A série mantém o formato inovador, em que cada episódio corresponde a uma hora de um turno de 15 horas no Pittsburgh Trauma Medical Center, permitindo uma narrativa em tempo real que reforça o realismo da rotina hospitalar, e que nos faz ter vontade de devorar os episódios de seguida. É impossível, The Pitt estreia um episódio por semana, à sexta-feira. É frenética e demora o seu tempo, é um retrato cru e duro sobre o sistema americano (mundial?) e ao mesmo tempo deixa espaço à esperança.

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Desta vez, a ação decorre dez meses depois dos acontecimentos da primeira temporada, no dia 4 de julho, tradicionalmente o mais caótico do ano num serviço de urgência nos Estados Unidos, devido a acidentes com fogo-de-artifício, excessos das celebrações e problemas como a desidratação.

O Dr. Michael “Robby” Robinavitch (Noah Wyle), o herói que não sabíamos que precisávamos, continua a ser o pilar emocional e moral da série, agora a preparar-se para uma licença sabática de três meses, onde só podemos desejar que vá tratar da sua saúde mental.

O pragmatismo e experiência de Robby colidem com a chegada da Dr. Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi), médica inovadora que pretende implementar ferramentas de inteligência artificial no hospital, incluindo software de ditado para relatórios clínicos, trazendo de forma orgânica o debate sobre segurança, eficiência e ética médica.

Grande parte do elenco da primeira temporada regressa, a principal ausência é a Dra. Heather Collins (Tracy Ifeachor), cuja saída foi justificada pelo fim do arco narrativo.

The Pitt distingue-se pelo realismo clínico, representação fiel do trabalho hospitalar, pressões emocionais e desgaste físico dos profissionais de saúde, evitando melodrama e choque gratuito, privilegia sim momentos de humanidade e empatia. Mais uma vez a escolha da banda sonora é o som natural, não há nenhuma música de fundo, transportando-nos para qualquer serviço de urgência onde já tenhamos estado.

A autenticidade é conseguida através da consultoria constante de médicos e enfermeiros que garante verosimilhança de procedimentos e hierarquias. E prova disso são os vários depoimentos de médicos nas redes sociais a destacar a impressionante semelhança com uma urgência hospitalar e, acima de tudo, com o impacto de um turno na estabilidade emocional de um profissional de saúde.

O médico conhecido por levar ciência às redes sociais e desmontar a pseudo-ciência, Dr. Mike, já revelou ser um fã de The Pitt e nos reacts à série tem elogiado a similaridade com o dia-dia. Na passadeira vermelha dos Globos de Ouro descobrimos que os atores de The Pitt também são fãs de Dr. Mike.

A série aborda ainda temas contemporâneos, incluindo a introdução de IA na prática clínica, tensões entre tradição e inovação, precariedade no sistema de saúde, imigração, violência armada, violência doméstica e acesso limitado a cuidados médicos. Ao mesmo tempo, explora relações pessoais e dilemas éticos: ligações secretas, recuperação de dependências e conflitos entre colegas.

A segunda temporada estreou com 5,4 milhões de espectadores nos primeiros três dias, aumentando para 7,2 milhões na semana seguinte nos EUA, consolidando o sucesso da primeira. A série foi aclamada pela crítica, destacando-se pelo realismo, intensidade e profundidade emocional, e recebeu cinco Emmys e dois Globos de Ouro, incluindo prémios para Noah Wyle como melhor ator e para The Pitt como melhor série dramática.

Em The Pitt, os médicos têm vida pessoal, mas ao contrário da maioria das séries médicas a que nos habituámos a narrativa mantém-se focada na experiência humana de médicos, enfermeiros e pacientes, com casos complexos, tensão constante e pequenos gestos de bondade.

Gravada sempre no mesmo cenário, é um retrato realista e emocional do trabalho hospitalar pós-pandemia. Cada episódio é filmado em ordem cronológica, em Los Angeles, sem recurso a CGI e o protagonista Noah Wyle é também produtor executivo, escritor e realizador ocasional. Apesar de um processo legal movido pela viúva de Michael Crichton, alegando que a série violava direitos sobre ER, a produção defende-se como sendo obra original, com elenco, enredos e abordagem distintos.

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