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O especialista em clima Pedro Matos Soares explicou à agência Lusa que sequências como estas são raras e estão relacionadas com o posicionamento mais a sul do habitual do anticiclone dos Açores, que normalmente provoca um movimento de pulsação entre norte e sul que, nas últimas semanas, não se verificou.
Apesar da intensidade e da frequência das tempestades, Pedro Matos Soares sublinha que episódios deste tipo fazem parte do clima português e não podem ser diretamente atribuídos às alterações climáticas.
Janeiro de 2026 foi o mês mais chuvoso de que há registo, e em apenas três dias as barragens portuguesas tiveram de descarregar um volume de água equivalente ao consumo anual do país, segundo José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), referiu ao Expresso.
Com a aproximação da depressão Leonardo, prevista para entrar pelo sudoeste algarvio e afetar todo o Sul, Centro e Norte do país, a pressão sobre os sistemas hídricos permanece “elevada e imprevisível”, agravada pelo aumento das descargas de Espanha no Tejo, que devem atingir cerca de 1.500 metros cúbicos por segundo em Cedillo. As albufeiras de Odelouca, Funcho, Arade e Bravura estão em níveis críticos, exigindo cuidado redobrado.
A APA, em coordenação com a Proteção Civil e os municípios, está a monitorizar caudais e a gerir descargas nas barragens estratégicas, como Castelo de Bode e Cabril, para minimizar o risco de cheias. Apesar da magnitude das descargas, o país tem conseguido proteger sobretudo áreas habitacionais, evitando danos a pessoas e casas, embora campos agrícolas continuem a sofrer com inundação e erosão, causando preocupação aos agricultores, sobretudo na Golegã. Problemas adicionais incluem falhas e vandalismo em estações automáticas de monitorização, com cerca de duas estações vandalizadas por semana, mas Pimenta Machado garante que existe informação suficiente para gerir a situação.
O rio Mondego é destacado como particularmente difícil de gerir, devido ao seu traçado entre diques; uma subida rápida da água pode provocar rompimentos e deslocar grandes massas de água, tornando as cheias potencialmente explosivas. Em contraste, rios como o Douro permitem maior antecipação e ajuste. A APA tem realizado pré-posicionamentos de recursos e coordenado ações com base em históricos de cheias, enquanto especialistas em recursos hídricos, como Joaquim Poças Martins, consideram que a articulação entre entidades melhorou significativamente em relação ao passado.
Apesar do esforço contínuo e das medidas preventivas, Pimenta Machado alerta que o risco zero não existe: “Estamos bem preparados, mas isto ainda não acabou.” As próximas frentes de precipitação, previstas para quinta-feira e domingo, manterão a pressão sobre os sistemas hídricos e exigirão vigilância constante, sobretudo nas bacias do Tejo e Mondego, garantindo uma gestão coordenada e antecipatória para proteger populações e minimizar impactos.
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