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A segunda edição do evento “É Um Congresso – Housing First & Harm Reduction”, promovido pela associação CRESCER, decorre na Fundação Calouste Gulbenkian e pretende lançar uma reflexão urgente sobre o aumento das pessoas em situação de sem-abrigo em Portugal e na Europa.

Com palestras, painéis de debate, workshops e visitas de campo, o congresso junta académicos, decisores políticos, representantes de ONG, empresários, ativistas e membros da sociedade civil, num esforço conjunto para repensar estratégias de inclusão e políticas públicas, revela o comunicado enviado às redações.

Temas e oradores de referência internacional

O programa aborda temas como políticas de habitação, impacto do modelo Housing First, redução de riscos, responsabilidade social corporativa, trabalho de pares e estratégias de intervenção de rua.

Entre os oradores confirmados estão nomes de referência mundial, como Jules Van Dam (Presidente da FEANTSA), Andrew Tatarsky (psicoterapeuta e autor norte-americano), Lígia Teixeira (diretora do Centre for Homelessness Impact), Stephen Gaetz (Presidente do Canadian Observatory on Homelessness e co-Diretor do United Nations Centre of Excellence on Youth Homelessness Prevention), João Goulão (Presidente do ICAD) e Maria Rooney (Trauma Research Foundation).

As atividades têm início a 5 de novembro, com visitas ao terreno que permitem aos participantes conhecer de perto os projetos da CRESCER em Lisboa. O congresso decorre depois nos dias 6 e 7 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Housing First: um modelo com resultados comprovados

Criada em 2001, a CRESCER é uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) portuguesa que atua na promoção da saúde, redução de riscos e inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade. A associação acompanha anualmente cerca de duas mil pessoas, através de diversos projetos comunitários.

Um dos exemplos do seu trabalho é o projeto “É Uma Casa – Lisboa Housing First”, iniciado com apenas sete habitações e que, 11 anos depois, conta já com 152 casas distribuídas por toda a capital, tendo começado também a atuar na Amadora e em Loures.

Mais de 90% das pessoas integradas neste programa não regressaram à rua, demonstrando a eficácia de uma abordagem centrada na habitação permanente como direito fundamental e na prevenção estruturada e coordenada.

Ao promover o “É Um Congresso – Housing First & Harm Reduction”, a CRESCER pretende reforçar a ideia de que a exclusão habitacional é um problema coletivo que exige respostas políticas, técnicas e humanas integradas.

Um problema que cresce em Portugal e na Europa

Os números mais recentes confirmam uma tendência alarmante. Em 2023, Portugal registou cerca de 13 mil pessoas em situação de sem-abrigo, o que representa um aumento de 23% face a 2022 e de 60% em relação a 2021. Destas, quase oito mil viviam sem teto e cerca de cinco mil sem casa.

Lisboa tinha 3.122 pessoas em situação de sem-abrigo no final de 2024
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A realidade nacional acompanha o cenário europeu: segundo estimativas da União Europeia, cerca de 900 mil pessoas dormem atualmente na rua, o dobro do número registado em 2009.

*Notícia atualizada às 13h49

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