Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O cientista norte-americano, James D. Watson, nasceu em Chicago, no estado de Illinois, EUA, em 1928. Com apenas 23 anos já detinha um doutoramento pela Universidade do Indiana, entrando no mundo da ciência aos 24 anos, na universidade britânica de Cambridge, onde conheceu o futuro colega de trabalho, Francis Crick.

Em 1962, recebeu o prémio Nobel da medicina, juntamente com os colegas Francis Crick e Maurice Wilkins, por descobrirem a dupla hélice no genoma humano (ADN). Esta descoberta levou a que se percebesse como a informação hereditária é armazenada e como as células duplicam o seu ADN quando separadas.

Segundo o The Guardian, a descoberta ajudou a abrir as portas a progressos científicos mais recentes, como a manipulação da composição genética de seres vivos, o tratamento de doenças através da inserção de genes em pacientes, a identificação de restos mortais humanos e suspeitos de crimes a partir de amostras de ADN e o rastreamento de árvores genealógicas. Mas também levantou uma série de questões éticas, como se é moralmente aceitável modificar os genes humanos para fins estéticos ou para que as alterações sejam passadas para descendentes e qual pode ser o limite para essas modificações.

A revelação, mesmo entre aqueles que não são cientistas, tornou-se um símbolo da ciência sendo imortalizado nas obras de Salvador Dalí e nos selos postais britânicos.

Contudo, em 2007, o biólogo gerou controvérsia quando a revista Sunday Times lançou algumas das suas citações sobre as políticas sociais usadas no continente africano, afirmando que estas se baseiam em acreditar que a "inteligência deles é igual à nossa – quando todos os testes indicam que não é bem assim", acrescentando que “as pessoas que têm de lidar com funcionários negros descobrem que isso não é verdade”. Posteriormente, pediu desculpa pelas declarações, mas depois da polémica internacional, foi dispensado do cargo como diretor do laboratório Cold Spring Harbor, em Nova Iorque.

Num documentário televisivo, em 2019, foi questionado sobre se a sua visão tinha mudado esclarecendo que "não, não de todo". Em resposta, o laboratório científico retirou-lhe vários títulos honorários afirmando que as declarações eram "repreensíveis" e "não comprovadas pela ciência".

Francis Collins, diretor do National Institutes of Health (NIH), entidade que faz parte do departamento de Saúde e Serviços humanos norte-americano, afirmou, em 2019, que o biólogo molecular teve “uma tendência lamentável para comentários inflamados e ofensivos, especialmente no final da sua carreira". Manifestando a intenção que as opiniões de James D.Watson "sobre a sociedade e a humanidade pudessem ter correspondido às suas brilhantes perceções científicas".

Depois da descoberta que o levou até ao Nobel, o biólogo molecular escreveu vários livros didáticos influentes e um livro de memórias, além de ajudar a orientar o projeto de mapeamento do genoma humano.

Morreu esta sexta-feira, nos cuidados paliativos, em Nova Iorque, após o internamento por causa de uma infeção. O New York Times chamou-lhe um dos cientistas mais importantes do século XX.

__

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.