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Em Odemira, o agricultor nepalês Subash perdeu a casa num incêndio há duas semanas.

“Na minha vida nunca vi nada assim, nunca pensei que o fogo pudesse ser assim, tão grande, tão forte”, contou à Lusa, no Notícias ao Minuto.

O concelho, onde a população estrangeira passou de 669 residentes em 2013 para 3.197 em 2023, tem resistido ao despovoamento graças à fixação de imigrantes no setor agrícola.

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Mais a norte, em Oliveira do Hospital, onde os estrangeiros passaram de 50 para 283 no mesmo período, o bangladeshiano Jewel integra uma equipa de sapadores florestais.

“É a loucura. Nunca paramos, não podemos parar, temos de proteger as pessoas”, disse. “Nestes dias, o nosso trabalho é destruir as árvores e o mato, para proteger as casas.”

Na Guarda, onde o número de imigrantes cresceu de 56 para 572 em dez anos, Sana Gupta recorda o incêndio que atingiu a sua aldeia: “Isto foi o terror. Aqui só vivem idosos, coitados. Nós abrimos a nossa casa aos nossos vizinhos”.

O nepalês lembra ainda a dimensão do fogo: “Era de dia e parecia de noite. E depois ouvia-se um barulho forte. Mas os bombeiros ajudaram muito. Eles são impressionantes”.

Entre os bombeiros voluntários está o brasileiro Márcio Christo, de Pataias, que vive em Portugal desde 2002.

“É algo inexplicável, é um ser vivo, incompreensível algumas vezes, que devemos respeitar”, afirmou, recordando a impotência no incêndio que destruiu o Pinhal de Leiria, em 2017: “Não conseguimos segurá-lo”.

O apoio aos operacionais estende-se também à logística. Em Oliveira do Hospital, o empresário indiano Ganga Singh, dono de restaurantes, mobilizou 25 funcionários para distribuir refeições: “É a nossa obrigação. Não faço isto para agradar, mas porque todos temos que nos ajudar”.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, sublinha a importância destas comunidades: “Entre os sapadores florestais, a maioria são estrangeiros, muitos do Indostão ou de África e trabalham bem. Não há portugueses para assegurar a agricultura, a silvicultura ou os serviços”.

Para o autarca, contra os incêndios “não há nacionalidades”, apenas “compromisso e trabalho”.

Ainda assim, a integração tem fragilidades. Jewel desabafou: “Sem os meus filhos, eu estou aqui incompleto”. Também Subash, há quatro anos em Portugal, sonha com o reencontro com a família: “Quero viver aqui e não é um incêndio que me vai impedir de estar cá”.