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Com o aumento de rendas e a escassez de alojamento estudantil, partilhar casa tornou-se a solução mais comum para estudantes do ensino superior. Para uns, representa uma forma de reduzir custos; para outros, é também uma oportunidade de criar laços e combater a solidão.

Nos principais centros urbanos, como Lisboa, Porto e Coimbra, arrendar um quarto pode custar entre 300 a 599 euros, valores que superam o orçamento mensal de muitos estudantes universitários. Na cidade de Lisboa, segundo o Observatório do Alojamento Estudantil, o preço médio de um quarto está nos 416 euros.

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Em 2025, havia cerca de 194 mil estudantes a necessitar de alojamento, um número muito superior à oferta disponível, de acordo com o portal Idealista. 

A Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) refere, em comunicado enviado às redações, que muitos senhorios estariam dispostos a arrendar a estudantes, mas exigem incentivos fiscais e mecanismos de proteção do Governo.

Projetos intergeracionais 

Face a este cenário, têm surgido soluções inovadoras que prometem a partilha de casa entre gerações. Nestes programas, estudantes ocupam um quarto na casa de um sénior, pagam uma renda ou ajudam nas despesas, facultam apoio em tarefas e momentos de convívio.

A iniciativa partilhacasa.pt, já presente em Lisboa, Évora e Coimbra, reúne os programas nacionais que promovem a partilha intergeracional de habitação. O processo é simples: no site, o sénior com um quarto disponível ou o estudante à procura de alojamento escolhe a localidade e o programa pretendido, preenche o formulário de candidatura e aguarda o contacto da equipa responsável. Segue-se uma fase de triagem, que avalia a compatibilidade entre perfis e cruza a oferta de alojamento com as necessidades dos jovens.

Novas respostas académicas

Também as universidades têm procurado dar resposta. A rede 1/4, iniciativa da Universidade NOVA de Lisboa, é um projeto sem fins lucrativos e gratuito que aproxima quem tem quartos disponíveis de estudantes  à procura de alojamento.

No manifesto disponível online, a rede é descrita como uma "iniciativa ambiciosa", apoiada por parceiros como o  Oeiras Valley, Santander Fundanção e Santa Casa Misericórdia de Lisboa.

Em declarações ao 24notícias, Sandra Fernandes, gestora do projeto, explica que a rede não se limita a incluir seniores: "Contamos também com casais cujos filhos já saíram de casa e ficaram com quartos disponíveis, bem como famílias monoparentais. É uma política regrada que pretende resolver vários problemas em simultâneo tais como os económicos e ambientais".

O acompanhamento é feito por uma equipa multidisciplinar, que inclui mediadores sociais e psicólogos, que garantem apoio durante todo o processo.

O projeto está ainda vinculado ao Programa de Arrendamento Acessível (PAA) onde alinham os valores económicos. As rendas praticadas pelos anfitriões têm de respeitar o teto máximo definido por cada município.