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Pedro Pinto começou por destacar a escolha que, na sua perspetiva, se coloca aos portugueses: entre “quer ou não quer o socialismo”. “A direita tem uma oportunidade única de derrotar o socialismo em Portugal. Ambos sabemos, e falámos disso muitas vezes, como o socialismo deixou o nosso país”, afirmou, responsabilizando o PS por questões como imigração, desigualdade e “insegurança” nas ruas.

Pedro Pinto sublinhou que não se pode criticar o PS e, ao mesmo tempo, não apoiar André Ventura. “Ou então o primeiro-ministro andou a enganar os portugueses. E agora? O que é que vão fazer no dia 8?”, provocou, referindo-se a Montenegro como presidente do PSD e salientando que este é o momento de decisão.

Luís Montenegro respondeu lembrando que houve uma espécie de “primeira volta” das legislativas em 2024, em que a Aliança Democrática (AD) ganhou e estabilizou a governação, enquanto o Chega e o PS se uniram para derrubar o Governo.

Pedro Pinto replicou acusando Montenegro de ter “memória curta”, recordando que não foi o PS nem o Chega que demitiram o anterior Governo, mas sim o próprio primeiro-ministro, que submeteu uma moção de confiança sabendo que esta seria chumbada. O dirigente do Chega afirmou ainda que o “parceiro preferencial” de Montenegro continua a ser o PS e acusou o líder do Governo de não responder à questão inicial: “Não basta dizermos que somos o Ronaldo e depois jogamos à defesa.”

O primeiro-ministro, por sua vez, respondeu recordando que, em matéria de pontes políticas, o Chega foi o partido que mais negociou com o PS no último Orçamento do Estado, contabilizando 82 pontes. Pedro Pinto rebateu dizendo que o Chega estabelece pontes “até com o diabo”, desde que sirvam para melhorar a vida dos portugueses, acrescentando denúncias de mais de cinco mil emigrantes que não conseguiram votar, devido a consulados fechados ou à necessidade de se deslocarem a outros países. “Isto é brincar com quem expulsámos do nosso país à procura de uma vida melhor”, afirmou.

Luís Montenegro reconheceu que a questão dos votos dos emigrantes é “da maior importância” e garantiu que conhece bem o assunto devido aos anos de experiência como deputado.

O primeiro-ministro acrescentou que o Governo já propôs, por diversas vezes, a implementação experimental do voto eletrónico para facilitar a participação eleitoral dos cidadãos no estrangeiro, sublinhando que “foi feito um esforço máximo para possibilitar o voto dos emigrantes” na primeira volta das presidenciais.

Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, considerou “incontornável” a ausência de representação do espaço do centro-direita na segunda volta das eleições presidenciais, criticando Luís Montenegro por ter feito campanha pelo “voto útil” e por, no seu entender, ter ignorado essa realidade política.

Paulo Núncio, deputado do CDS-PP, rejeitou a narrativa de que a segunda volta se disputa entre um democrata e um antidemocrata, defendendo que qualquer candidato que receba votos tem legitimidade democrática. “O PS e a esquerda não são donos da democracia. Não aceitamos lições de democracia vindas do PS”, afirmou, questionando se os eleitores que se abstiverem ou votarem em André Ventura são “menos democratas”.

À esquerda, Isabel Mendes Lopes, do Livre, questionou o primeiro-ministro sobre como irá justificar, junto dos restantes membros do Conselho, a decisão de não apoiar “um democrata” quando a alternativa, afirmou, “é alguém que quer quebrar o regime”. A deputada acusou Montenegro de estar a contribuir para uma “cultura de ódio”.
A dirigente do Livre criticou ainda o pacote laboral do Governo, considerando que “não é aceite pela sociedade portuguesa”, e acusou o Ministério do Trabalho de desconhecer a realidade do setor que tutela.

Pelo PCP, Paulo Raimundo acusou o primeiro-ministro de ser “completamente indiferente” à escolha do próximo Presidente da República e de estar a adotar uma estratégia política ao não assumir qualquer apoio. O secretário-geral comunista afirmou que André Ventura “nunca faltará” ao Governo nas descidas de impostos e acusou Montenegro de procurar “salvar uma política desastrosa”. Raimundo desafiou ainda o Executivo a acompanhar a proposta do PCP para fixar o preço da botija de gás em 20 euros.

Já Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, recorreu a uma metáfora histórica para criticar as declarações do primeiro-ministro sobre o SNS, lembrando o “erro de perceção” de Fernão de Magalhães. “Perceções podemos ter num museu de arte moderna; no SNS temos a realidade dos factos com que os utentes se confrontam todos os dias”, afirmou, questionando se Montenegro está disponível para demitir a ministra da Saúde.

Por fim, Inês Sousa Real, do PAN, acusou o primeiro-ministro de escolher a neutralidade face a um deputado populista que representa “três Salazares” e a um candidato que, segundo disse, garante estabilidade democrática. “Não vejo onde está a dúvida”, afirmou, apelando a Montenegro para abandonar a neutralidade “pelo bem do país”, alertando para o risco de o “não é não” se transformar num “talvez”.

*Notícia atualizada com a intervenção dos restantes partidos 

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