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O ar das nossas casas está praticamente saturado de microplásticos invisíveis, sobretudo fibras muito pequenas libertadas por materiais sintéticos, e que a exposição humana diária pode ser muito maior do que se pensava, possivelmente centenas de milhares a milhões de partículas por ano, principalmente por inalação.

A principal origem destes microplásticos está no uso diário de materiais plásticos no interior das casas, especialmente têxteis sintéticos como poliéster, nylon e misturas usadas em roupa, sofás, cortinas, tapetes e colchões. Sempre que vestimos roupa sintética, a puxamos pela cabeça, a esfregamos contra o corpo, a lavamos ou a secamos na máquina, libertam-se milhares de microfibras. Essas fibras não desaparecem: ficam suspensas no ar ou depositam-se no pó doméstico.

Esse pó é um dos grandes “reservatórios” de microplásticos dentro de casa. Quando fazemos movimentos simples, andar, sentar, aspirar, limpar, esse pó volta a levantar-se e a entrar no ar que respiramos. Isto torna a exposição contínua, mesmo sem contacto direto com plástico visível.

Estudos citados pela BBC mostram que o ambiente interior é especialmente crítico porque passamos cerca de 90% do tempo dentro de edifícios. Investigação em vários países indica que a concentração de microplásticos no ar interior pode ser até oito vezes superior à do exterior. Em alguns casos, medições encontraram centenas de partículas por metro cúbico de ar em casas e milhares em espaços como o interior de carros.

As estimativas de exposição são elevadas: um adulto pode inalar entre dezenas de milhares a mais de cem mil partículas por dia, dependendo do ambiente, enquanto bebés podem estar expostos a quantidades ainda maiores porque passam muito tempo próximos do chão, onde o pó se acumula. Num dia normal, um bebé pode inalar entre 19.000 e 75.000 partículas de pequenas dimensões.

Os investigadores sublinham, no entanto, que medir microplásticos no ar é difícil e ainda não existe um método padrão universal. Além disso, partículas muito pequenas (inferiores a 20 micrómetros) são difíceis de detetar e podem penetrar mais profundamente nos pulmões, o que aumenta a preocupação científica.

As fontes principais dentro de casa incluem desgaste de roupa e tecidos sintéticos, lavagem de roupa (máquinas de lavar libertam fibras na água e também no ar), secagem em máquina (calor e fricção libertam mais fibras), desgaste de tapetes, sofás e cortinas com o uso diário e movimentação geral que levanta pó já contaminado

Mesmo a limpeza pode agravar temporariamente a exposição: aspirar ou varrer pode levantar partículas para o ar, e até esvaziar o depósito do aspirador pode libertar uma nuvem de microplásticos. No entanto, a longo prazo, aspirar regularmente reduz a quantidade total no ambiente, especialmente se for feito com aspiradores equipados com filtros HEPA (Detenção Altamente Eficaz de Partículas) .

Uma vez que segundo o artigo aspiradores com filtros HEPA e sistemas selados conseguem reter partículas muito pequenas (até cerca de 0,3 micrómetros com elevada eficiência), mas nenhum sistema elimina completamente a exposição. A ventilação e o uso de vários níveis de filtragem ajudam a reduzir a concentração no ar.

Outra ferramenta útil são purificadores de ar com filtros HEPA, que podem remover grande parte das partículas suspensas. Alguns estudos indicam remoções superiores a 99% de partículas muito pequenas, embora a eficácia dependa do equipamento e da sua qualidade. Já o ar condicionado pode ter um efeito ambíguo: pode redistribuir partículas pelo espaço e, em alguns casos, aumentar a libertação de microfibras devido ao movimento do ar.

Microplásticos pequenos podem atingir profundamente os pulmões, provocar inflamação e, em alguns casos, entrar em células ou tecidos. Partículas inferiores a 5 micrómetros são especialmente preocupantes porque conseguem ultrapassar as defesas naturais do nariz e garganta. Estudos em animais mostram que estas partículas podem chegar a vários órgãos (como fígado, rins, cérebro e sistema reprodutivo) em poucos dias, mas não se sabe ainda até que ponto isso acontece em humanos.

Há também evidência de que fibras longas e finas podem ser mais problemáticas, porque ficam retidas nos pulmões durante mais tempo e podem transportar outros poluentes ou bactérias. Alguns investigadores comparam o risco potencial destas fibras a outros materiais perigosos já conhecidos, embora ainda não exista consenso científico sobre os efeitos exatos dos microplásticos no corpo humano.

Contudo, não é possível evitar completamente os microplásticos. No entanto, é possível reduzir a exposição através de mudanças comportamentais, como reduzir o uso de roupa sintética e preferir fibras naturais (algodão, lã, linho), lavar roupa apenas quando necessário e em cargas maiores, secar roupa ao ar livre sempre que possível, usar filtros para máquinas de lavar para reduzir libertação de fibras, aspirar com filtros HEPA e em espaços ventilados, limpar pó com panos húmidos antes de aspirar, usar purificadores de ar com boa filtragem

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