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Em causa está a construção de dois hotéis e de um bloco de apartamentos turísticos, numa área de cerca de 11 mil metros quadrados, cujo alvará de construção foi emitido em 1988 e revisto em 2008.

O movimento defende que um projeto “desta dimensão e sensibilidade ambiental não deve avançar sem cumprir todas as leis” e requisitos ambientais atualmente em vigor, nomeadamente os relacionados com uma bacia existente no local, que os cidadãos consideram um importante ecossistema.

“Não somos contra o desenvolvimento. Somos contra um desenvolvimento que aconteça à custa das dunas, do ambiente e do futuro da Meia Praia. Quando estes ecossistemas frágeis desaparecerem, nenhuma quantia monetária poderá recuperá-los”, afirmou Graça Bastos, membro do movimento.

Durante a concentração, os manifestantes defenderam a suspensão do projeto até que os impactos ambientais sejam avaliados de forma independente e transparente.

Representantes do “Salvar a Meia Praia” participaram posteriormente na reunião da Câmara de Lagos, onde reafirmaram a defesa do espaço e pediram à autarquia que reverta o licenciamento da construção.

O movimento defende que a área deve ser destinada a espaços verdes para usufruto da população, em vez de acolher o empreendimento turístico previsto, que inclui um hotel de cinco estrelas.

Na reunião, o presidente da Câmara de Lagos, Hugo Pereira, explicou que o alvará anteriormente aprovado, em 1988, previa uma área de construção superior, tendo sido revisto em 2008, no âmbito do Plano Urbanístico da Meia Praia, com uma redução da área destinada à construção.

O autarca afirmou também “não ser favorável à construção na primeira linha de costa”, mas considerou que a autarquia não pode travar o projeto caso o promotor cumpra todos os requisitos legais e regulamentares.

Contudo, Hugo Pereira adiantou que a aprovação e o licenciamento da obra estão ainda condicionados à requalificação da bacia lagunar pelo promotor.

O movimento “Salvar a Meia Praia” considera, por seu lado, que a dimensão e a localização do empreendimento justificam uma nova avaliação dos impactos ambientais e insiste na suspensão do projeto até que estejam esclarecidas todas as questões relacionadas com a proteção do ecossistema existente no local.

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