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“Não é só impressão. O corpo envelhecido metaboliza o álcool de forma menos eficiente, desidrata-se mais facilmente e demora mais a recuperar”, explica a nutricionista Lillian Barros ao 24notícias, confirmando que há bases fisiológicas para esta sensação.

O álcool é processado principalmente no fígado por enzimas como a álcool desidrogenase e a aldeído desidrogenase. Com o envelhecimento, estas enzimas tornam-se menos ativas. “O acetaldeído, um composto tóxico produzido quando o álcool é metabolizado, acaba por permanecer mais tempo no organismo. É ele que causa dores de cabeça, náuseas e aquele mal-estar típico do dia seguinte”, explica.

Quanto mais lento o metabolismo, maior a sensação de ressaca. É por isso que, com a idade, há quem sinta que uma quantidade que antes lhes parecia moderada pode agora deixá-los debilitados.

Outra razão para a ressaca parecer pior com o tempo tem a ver com alterações na composição corporal. À medida que envelhecemos, perdemos massa muscular e diminuímos a quantidade de água no corpo. Como o álcool se distribui principalmente na água, a mesma dose de bebida resulta numa concentração mais elevada no sangue. O efeito é simples: o organismo “sente” mais a bebida.

Desidratação e fadiga

O álcool é um diurético, ou seja, faz com que o corpo humano perca líquidos e eletrólitos. Com o envelhecimento, o corpo torna-se menos eficiente em perceber a sede e em manter a hidratação adequada. Como resultado, sintomas como tonturas, dor de cabeça e fadiga podem ser ainda mais intensos. Lillian Barros explica que esta combinação é uma das razões pelas quais a ressaca costuma ser mais pesada com o passar dos anos.

O álcool também interfere no sono, mesmo em pequenas quantidades, comprometendo o sono profundo e os ciclos REM, essenciais para a recuperação do corpo. Como o sono tende a tornar-se mais fragmentado com a idade, a combinação é quase perfeita para um dia seguinte difícil. “Mesmo que a pessoa durma a noite toda, o descanso não é igual ao de antes”, diz a nutricionista.

Além disso, muitas pessoas, especialmente a partir dos 40 ou 50 anos, usam medicamentos para controlar pressão arterial, colesterol, diabetes ou ansiedade. O álcool pode interagir com essas medicações, intensificando os efeitos da ressaca e deixando o corpo ainda mais debilitado.

Estratégias para reduzir o impacto

Embora a melhor forma de evitar a ressaca seja não beber, nem sempre isso é possível. A nutricionista sugere algumas medidas que podem ajudar:

  • Beber devagar e de forma consciente

  • Alternar álcool com água para manter a hidratação

  • Evitar consumir álcool em jejum

  • Optar por bebidas com menor teor alcoólico

“Estas estratégias não eliminam a ressaca, mas reduzem o desconforto no dia seguinte”, afirma a especialista. Além disso, é importante ouvir o corpo e respeitar os limites pessoais, especialmente à medida que envelhecemos.

O conselho final

No fim, a mensagem é clara: a ressaca tende a piorar com a idade por fatores fisiológicos que não podemos controlar totalmente, mas hábitos saudáveis e moderação fazem toda a diferença. Quanto menos álcool, menor a ressaca, e com o tempo, o corpo agradece.

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