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Cada cabelo nasce a partir de um folículo piloso independente. Arrancar um cabelo branco não altera os folículos vizinhos nem faz surgir novos cabelos brancos”, diz a especialista, acrescentando que “o que determina a cor do cabelo é a atividade dos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina presentes em cada folículo”.

Ao longo dos anos, o corpo vai perdendo a capacidade de produzir melanina, o que dá origem aos cabelos brancos. Isto e o próprio gesto de arrancar os fios brancos são, para Marta Ribeiro Teixeira, a origem do mito. “É provável que esta ideia tenha surgido porque, com o passar do tempo, vão aparecendo naturalmente mais cabelos brancos devido ao envelhecimento. Assim, a pessoa arranca um cabelo branco e, meses depois, observa que existem mais, quando na realidade isso resulta da evolução natural do processo de envelhecimento capilar e não do ato de o arrancar”.

Segundo a dermatologista, um folículo costuma permanecer intacto após um cabelo ser arrancado e, passado algum tempo, começa a produzir um novo fio de cabelo. Geralmente, os novos cabelos vão ser brancos porque o folículo já não tem capacidade para produzir melanina.

No entanto, há “situações raras” em que poder acontecer “uma repigmentação parcial, associada à resolução de determinadas doenças, à suspensão de alguns medicamentos ou a alterações biológicas ainda pouco compreendidas”, afirma Marta Ribeiro Teixeira, destacando que estas situações são invulgares e que não acontecem por o cabelo ter sido arrancado.

O gesto de arrancar um fio branco não é recomendado como estratégia para eliminar cabelos sem pigmentação porque poderá originar uma inflamação no folículo. “Ao longo do tempo, sobretudo se o hábito for persistente, pode levar a lesão permanente do folículo e resultar em áreas de diminuição da densidade capilar ou mesmo alopecia cicatricial”, explica ao 24notícias.

A especialista afirma que a idade e a genética são os principais fatores que determinam quando começam a surgir os primeiros cabelos grisalhos, mas admite que o tabagismo e a exposição solar sem proteção do couro cabeludo estão também ligados ao aparecimento precoce de fios brancos.

Há ainda algumas doenças que podem acelerar o processo, como alterações da tiroide, défice de vitamina B12, vitiligo [uma patologia que provoca a perda do tom natural da pele em algumas partes do corpo e que leva ao aparecimento de manchas brancas] e outras doenças autoimunes. Além disto, há estudos a indicar que o stress intenso pode contribuir para a formação de cabelos brancos, mas Marta Ribeiro Teixeira diz que os fatores emocionais não são determinantes na maior parte dos casos.

Questionada pelo 24notícias sobre como atrasar fios sem pigmentação, a dermatologista garantiu que “não existe atualmente uma forma comprovada de prevenir o aparecimento de cabelos brancos”. Apesar disto, aconselha à preservação da saúde capilar através de uma alimentação saudável, da correção de défices nutricionais, gestão do stress, proteção do couro cabeludo contra a exposição solar e da abstinência do tabaco.

A dermatologista Marta Ribeiro Teixeira afirma que não há evidências científicas que provem a eficácia dos suplementos que prometem retardar o problema. No entanto, há medicamentos que estão a ser associados à repigmentação.

Os exemplos mais recentes são alguns fármacos de imunoterapia usados no tratamento do cancro e que levam à repigmentação do cabelo em alguns pacientes. Mais recentemente, um medicamento imunossupressor chamado rapamicina também despertou interesse científico nesta matéria. Foram descritos vários casos de pacientes que recuperaram parcialmente a cor do cabelo durante o tratamento, provavelmente devido à reativação das células estaminais dos melanócitos presentes no folículo piloso”, diz a especialista, garantindo tratarem-se de “efeitos secundários raros” de medicamentos usados para tratar patologias graves e que não devem ser usados com outros objetivos.

Marta Ribeiro Teixeira frisa que, na maior parte dos casos, os cabelos brancos são apenas uma alteração estética que faz parte do processo de envelhecimento. Ainda assim, casos que surgem de forma súbita e precoce, sobretudo antes dos 20 anos, devem ser avaliados por um médico para excluir doenças da tiroide, défices nutricionais e patologias autoimunes.

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