A União Europeia recomendou esta sexta-feira que as companhias aéreas evitem o espaço aéreo da Venezuela, na sequência dos ataques lançados pelos Estados Unidos, alertando para “um alto risco para os voos civis”.
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Numa recomendação emitida hoje, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) considera que a atual situação no país sul-americano representa um perigo significativo para a aviação comercial. “Considerando os ataques dos EUA e o elevado nível geral de tensões, é provável que a Venezuela mantenha níveis de alerta elevados para a sua força aérea e unidades de defesa aérea”, refere a EASA.
De acordo com o organismo europeu, citado pela agência France Presse (AFP), estes níveis de alerta estão relacionados com a “possibilidade de ações militares adicionais e pontuais”, após a ofensiva norte-americana que levou à captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua mulher.
Neste contexto, a EASA sublinha que “o risco de erro de cálculo e/ou identificação incorreta é avaliado como alto”, recomendando por isso às companhias aéreas europeias que evitem sobrevoar o território venezuelano até nova avaliação.
Também esta sexta-feira, a autoridade reguladora da aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) “proibiu” as companhias aéreas registadas no país de operar no espaço aéreo das Caraíbas, justificando a decisão com os perigos associados à atividade militar em curso.
A operação militar norte-americana está igualmente a ter impacto significativo no tráfego aéreo regional, numa altura de “grande movimento turístico na região”, segundo noticiou a Associated Press (AP). Dados do FlightRadar24 indicam que nenhum voo comercial sobrevoava hoje a Venezuela, enquanto várias companhias aéreas cancelaram centenas de voos no Caribe Oriental, incluindo ligações a Porto Rico, Ilhas Virgens, Aruba e outros destinos próximos do país.
Os Estados Unidos lançaram hoje “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, com o objetivo de capturar e julgar Nicolás Maduro e a sua mulher, anunciando ainda que irão governar o país até estar concluída uma transição de poder. O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas após o ataque a Caracas, tendo o chefe de Estado admitido a possibilidade de uma segunda ofensiva, caso seja considerada necessária.
Por seu lado, o Governo venezuelano denunciou uma “gravíssima agressão militar” por parte dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção. A reação internacional tem sido dividida entre a condenação da intervenção norte-americana e manifestações de apoio à queda de Maduro.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou entretanto a sua “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para toda a região.
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