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Um estudo laboratorial revelou a presença de bisfenol A (BPA) em chuchas produzidas por três grandes marcas europeias, levantando preocupações sobre a exposição de bebés a um químico ligado a alterações no desenvolvimento sexual, obesidade e cancro.
Os produtos analisados foram fabricados pela multinacional holandesa Philips, pelos especialistas suíços em saúde oral Curaprox e pela marca francesa de brinquedos Sophie la Girafe, diz o The Guardian.
A investigação foi realizada pela organização de consumidores checa dTest, que comprou 19 chuchas em lojas da República Checa, Eslovénia e Hungria e duas através do mercado online Temu. Para simular condições reais de utilização, cada chupeta foi imersa em solução de saliva artificial durante 30 minutos a 37°C, sendo posteriormente analisada a presença de bisfenóis.
Das quatro chuchas em que foi detetado BPA, a concentração mais elevada surgiu na Curaprox “Baby Grow with Love Soother”, com 19 microgramas por quilograma (µg/kg), ultrapassando o limite de 10 µg definido pela União Europeia para migração de BPA em chuchas de bebés. A Sophie la Girafe “natural rubber” apresentou 3 µg/kg, enquanto a Philips Avent Ultra Air contava com 2 µg/kg, ambas comercializadas como “BPA-free”. Uma das chuchas compradas na Temu, fabricada pela Foshan City Saidah, também continha BPA.
A Curaden, fabricante da Curaprox, declarou surpresa pelos resultados, tendo confirmado a presença de BPA em testes próprios. A empresa retirou preventivamente os produtos afetados do mercado e ofereceu reembolso aos clientes. A Vulli, responsável pela Sophie la Girafe, contestou a relevância da deteção, afirmando que a concentração encontrada era “insignificante” e que todos os produtos passam por testes laboratoriais antes da comercialização.
Já a Philips reforçou que a segurança dos produtos é uma prioridade máxima, assegurando testes regulares que confirmam a ausência de BPA em toda a sua gama de chuchas, incluindo o modelo em questão. A Foshan City Saidah não respondeu aos pedidos de comentário.
Segundo Chloe Topping, ativista da Chem Trust, “os efeitos do BPA na saúde são vastos: cancro da mama, cancro da próstata, endometriose, doenças cardíacas, obesidade, diabetes, alterações no sistema imunitário, impactos na reprodução, desenvolvimento cerebral e comportamento, incluindo em crianças.”
A exposição precoce, mesmo em concentrações muito baixas, pode afetar gravemente crianças, cujo organismo ainda está em desenvolvimento, podendo levar a contagens reduzidas de esperma e puberdade precoce.
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