Rina Oh tinha 21 anos e era estudante de arte quando conheceu Epstein, em 2000, por intermédio de Lisa Phillips, também sobrevivente e hoje uma das vozes mais ativas na luta pela responsabilização dos envolvidos no escândalo. Segundo Oh, Epstein apresentou-se como filantropo e benfeitor das artes, garantindo ter ajudado muitos jovens a frequentar universidades de prestígio. "Disse-me que eu tinha talento e que precisava de estar numa escola para conseguir vingar no mundo da arte. Acreditei nele", contou.

Epstein prometeu-lhe uma bolsa para frequentar a School of Visual Arts, em Nova Iorque, alegando que seria "sem contrapartidas". No entanto, segundo Oh, a ajuda veio acompanhada de exigências abusivas. "Havia muitas condições. Quando deixei de fazer tudo o que ele queria, retirou-me o apoio", afirmou. A artista diz ter permanecido cerca de dois anos na rede de Epstein.

Os relatos de Oh coincidem com outros testemunhos recentes apresentados a democratas do Comité Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, nos quais várias vítimas descrevem como Epstein prometia facilitar a entrada em universidades conceituadas, pagar propinas ou garantir vistos, criando uma relação de dependência financeira e emocional. O congressista Jamie Raskin afirmou que Epstein "atraía repetidamente jovens mulheres com promessas de admissão em faculdades e universidades" e que esse mecanismo servia para as tornar menos propensas a denunciar os crimes.

De acordo com os testemunhos recolhidos, Epstein terá pago estudos na Universidade de Nova Iorque (NYU) a pelo menos uma sobrevivente e prometido apoio semelhante a outras. Há também relatos de ajuda financeira para estudos na Universidade de Columbia. Uma das mulheres afirmou que Epstein lhe deu a entender que só tinha sido aceite na universidade graças às suas ligações pessoais, reforçando o sentimento de dívida.

As universidades envolvidas confirmaram ter recebido pedidos de esclarecimento por parte do Congresso norte-americano e garantiram estar a analisar a informação e a cooperar com as investigações. O objetivo passa por perceber o alcance das ligações de Epstein ao meio académico e o papel desempenhado por intermediários na gestão de pagamentos e bolsas.

As ligações de Epstein a instituições de ensino superior tornaram-se mais visíveis após a sua morte em 2019, quando surgiram detalhes sobre os seus contactos com universidades como Harvard e o MIT, bem como com professores e dirigentes académicos de topo. Algumas dessas relações mantiveram-se mesmo depois de Epstein ter sido condenado, em 2008, por crimes sexuais envolvendo menores.

Para Rina Oh, os padrões são claros. "Ele queria acesso a jovens estudantes, mas também queria infiltrar-se nas instituições. Não se tratava apenas de abuso físico, mas de controlo mental. Nada com Epstein era gratuito", afirmou, defendendo que as promessas de educação funcionaram como instrumento central de manipulação, dependência e silêncio.