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Há quase 300 dias, cerca de 2.000 refugiados no deserto do Níger mantêm um protesto contínuo com uma mensagem clara: “Não queremos ficar aqui”, reporta o The Guardian. O acampamento, situado a cerca de 15 km de Agadez, permanece fora de vista e longe da atenção pública, com os refugiados a sentirem-se abandonados pelo governo nigerino, pela União Europeia e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Associações que disponibilizam apoio a migrantes:

JRS Portugal — O gabinete jurídico "tem como objetivo assessorar juridicamente os utentes no seu processo de regularização, bem como emitir pareceres e orientações técnicas internas em matérias de Lei de Estrangeiros, Lei de Asilo e legislação acessória". Saiba mais aqui.

Renovar a Mouraria — Centrada na freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, esta associação ajuda com os processos de regularização de quem "vive, trabalha, estuda ou tem filhos que estudam" naquela zona. Conheça o projeto aqui.

Lisbon Project — Este projeto tem como objetivo "construir uma comunidade que integra e capacita migrantes e refugiados". Nesse sentido, tem também disponível um gabinete de apoio jurídico. Fique a par de tudo aqui.

Mundo Feliz — Esta associação ajuda os imigrantes no processo de regularização em Portugal e também na procura de emprego, entre outros serviços. Saiba mais aqui.

Linha de Apoio ao Migrante — Esta linha "tem como principal objetivo responder de forma imediata às questões mais frequentes dos migrantes, disponibilizando telefonicamente toda a informação disponível na área das migrações e encaminhando as chamadas para os serviços competentes". Contactos: 808 257 257 / 218 106 191. Mais informações aqui.

Muitos dos refugiados fugiram da guerra no Sudão e viram os seus esforços para alcançar segurança na Europa frustrados por países do Norte de África que, financiados pela UE, bloqueiam as rotas migratórias. Sem condições para regressar aos seus países de origem, ficaram encurralados no Níger, num limbo sem fim à vista.

O descontentamento recai sobretudo sobre o ACNUR, acusado de prestar apoio insuficiente, com acesso limitado a cuidados de saúde, educação e, a partir de julho, sem garantias de ajuda alimentar regular. A organização afirma fazer o possível com os recursos disponíveis, mas admite que os cortes de financiamento e as restrições impostas por governos locais dificultam as operações.

“Vivemos num deserto, a quilómetros da cidade, sem o mínimo necessário para sobreviver”, denuncia Abdulmalik, refugiado sudanês há mais de sete anos no acampamento. Ele acusa as autoridades locais de usarem violência e repressão contra quem protesta — tendo ele próprio sido preso após manifestações em 2020.

Yousef Ismail, também do Sudão, relata casos de abusos graves: “Em fevereiro, quatro pessoas morreram por falta de assistência médica. A comida foi-nos cortada como castigo, e uma mulher viúva foi espancada por exigir os seus direitos.”

Segundo o ACNUR, a ajuda alimentar será limitada aos refugiados mais vulneráveis, devido a restrições orçamentais. Um responsável local da agência, sob anonimato, reconheceu as dificuldades e a lentidão nos processos de realojamento, atribuídas à escassez de vagas oferecidas por países terceiros, como os da UE.

Organizações no terreno, como a Alarme Phone Sahara, afirmam que a frustração dos refugiados é compreensível. “Estes protestos são legítimos. O ACNUR devia canalizar essa pressão para exigir mais apoio internacional”, defende Moctar Dan Yaye, membro da ONG.

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Por seu lado, ex-funcionários e activistas criticam a postura distante da agência da ONU. “Há uma tendência para desvalorizar os protestos dos refugiados e etiquetá-los como ‘problemáticos’, quando o que mostram é desespero”, afirma Jeff Crisp, antigo alto funcionário do ACNUR.

Enquanto isso, os números continuam a subir: só em abril, mais de 2.000 pessoas foram devolvidas da Argélia ao Níger e cerca de 800 da Líbia, segundo estimativas da Alarme Phone Sahara. Em 2024, esse número ultrapassou os 31 mil.

“É inaceitável ver pessoas deixadas ao abandono no deserto”, sublinha Yaye. “A UE diz defender os direitos humanos, mas estas políticas contradizem totalmente esse discurso.”