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Muito antes de se falar em Natal, povos do Norte da Europa atribuíam significados profundos às árvores perenes, como o pinheiro e o abeto. "Para os germânicos e escandinavos, estas árvores representavam vida e resistência durante o inverno. No solstício de inverno, altura em que os dias começam a alongar-se novamente, trazer ramos verdes para dentro de casa era um gesto carregado de esperança e de fé na renovação da natureza", diz o historiador Carlos Bernardes.

Por exemplo, conta o também professor universitário, "as festividades pagãs como o Yule germânico celebravam a passagem do inverno e o retorno da luz".

"A cor verde do pinheiro era um sinal de vida contínua mesmo nos dias mais escuros do ano. Para muitas comunidades, enfeitar árvores e ramos dentro de casa tinha também uma função de ritual, de proteção contra espíritos e forças da natureza, e simbolizava a ligação entre o mundo humano e o divino", conclui.

A história conta também que com a expansão do cristianismo por todo o mundo, muitas tradições pagãs foram 'aproveitadas'. O pinheiro, originalmente um símbolo de vida e esperança, começou depois a ser associado à celebração do nascimento de Jesus Cristo, tendo esta nova celebração ganho mais força na Alemanha, entre os séculos XV e XVI.

Uma das histórias mais populares dessa altura envolve Martinho Lutero, um monge alemão e protestante do século XVI. Diz-se que, impressionado pela beleza das estrelas sobre os pinheiros numa noite de inverno, reproduziu o cenário dentro de casa iluminando um pinheiro com velas. A 'moda' depois ter-se-à propagado neste país.

Difusão na Europa e no resto do mundo

O pinheiro de Natal espalhou-se rapidamente pelo continente europeu, nomeadamente a partir do século XIX e à boleia da corte britânica. O 'culpado' foi o príncipe Alberto, marido da rainha Vitória e de origem alemã, que introduziu a árvore de Natal no Palácio de Buckingham, depois de o ver espalhado pelas casas germânicas. Arrastou-se inicialmente pelo Reino Unido, mas depois de toda a Europa ver fotografias e ilustrações da família real junto de um pinheiro decorado, publicadas nos jornais da época, chegou às casas de milhares de pessoas pela Europa fora.

Nos Estados Unidos, o costume consolidou-se no final do século XIX, enquanto na Europa continental evoluiu com novos enfeites, velas e, posteriormente, luzes elétricas. A tradição do pinheiro de Natal tornou-se um símbolo global da quadra, sendo hoje usada em quase todo o mundo, mesmo fora do contexto cristão.

Mais do que um simples objeto decorativo, tornou-se um ponto central de socialização familiar, um espaço de memórias e de celebração. Em muitas casas é em torno do pinheiro que se trocam presentes e se criam tradições que se repetem ano após ano.

Curiosidades históricas

Alguns pinheiros decorados históricos incluíam não apenas velas, mas frutas, nozes e pequenos presentes, simbolizando prosperidade e abundância. Durante a Primeira Guerra Mundial, em alguns países europeus, os pinheiros eram decorados com mensagens de paz e figuras de soldados, refletindo a importância da árvore como símbolo de esperança mesmo em tempos difíceis. Nos dias de hoje as árvores de Natal artificiais coexistem com as naturais, mostrando a capacidade da tradição de se adaptar aos novos tempos e às mudanças culturais.

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