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Manuel João Vieira nasceu a 17 de outubro de 1962, em Lisboa. Estudou Ilustração na Fundação Calouste Gulbenkian e, posteriormente, frequentou a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.

Filho de João Rodrigues Vieira, artista plástico e pintor português, seguiu as pisadas do pai e iniciou a atividade artística na banda desenhada, desenhando desde os seis anos e publicando na revista Tintin, além de adaptar contos de Manuel da Fonseca. Durante a formação académica, abandonou progressivamente a banda desenhada e passou a dedicar-se à pintura, desenvolvendo um estilo situado entre o realismo e o realismo mágico, centrado em paisagens e figuras humanas.

O início da carreira musical foi entre discos de rock sinfónico e música de intervenção de Zeca Afonso, revela Manuel João Vieira no podcast Sem Título, de Miguel Nabinho. Formou ainda adolescente a banda Almôndega, combinando referências marxistas-leninistas, surrealismo e humor absurdo.

Ainda na música foi fundador e vocalista das bandas Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum, criou e encarnou diversas personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Élvis Ramalho, Orgasmo Carlos e Catita.

Em 2008, Filipe Melo e João Leitão criaram uma série de seis episódios inspirada no mundo e nas personagens inventadas por Manuel João Vieira, intitulada "Um Mundo Catita".

O candidato Vieira: sátira política e manifesto

O candidato Vieira surgiu em 2001, e desde então manteve-se latente, descrito pelo vocalista dos Ena pá2000 como uma “performance multimédia que saltou do ecrã para a rua”. Inicialmente, o projeto foi pensado como filme, mas acabou por ganhar vida própria na internet no início dos anos 2000, mais precisamente em 2001. Nessa altura, várias pessoas afirmaram ter votado nele, embora o seu nome não constasse em boletins oficiais, consolidando a personagem como uma sátira efetiva ao discurso eleitoral.

Após outras tentativas, em 2006, 2011 e 2016, a personagem foi retomada e voltou com força nas Presidenciais de 2026, com um manifesto de caráter satírico e deliberadamente absurdo. Conseguindo 12 500 assinaturas, o dobro do mínimo necessário para constar nos boletins oficiais, tornou a candidatura reconhecida oficialmente e pondo assim fim ao eterno título de candidato a candidato.

Entre as propostas, que podem ser lidas no site oficial, Vieira2026, destacam-se a padronização da cor da pele da população, a eliminação de doenças e do Serviço Nacional de Saúde, a transformação de criminosos em biodiesel para transporte público, o encerramento do Ministério da Educação e a criação de uma nova capital, Vieirapolis, administrada por uma inteligência artificial denominada Chat VIEIRA69. O manifesto combina crítica social, humor e exagero como instrumentos de sátira política, abordando temas como centralização de poder, eficácia do Estado e promessas simplistas.

No tempo de antena da campanha, Manuel João Vieira defende que o direito à felicidade deve ser consagrado na Constituição portuguesa. Para si, este é um direito “inalienável” que deve ser garantido pelo Estado, em paralelo com outros direitos fundamentais, como o direito à habitação. No debate na Antena 1 com outros candidatos, quando o tema era Habitação Manuel João Vieira afirmou que “o país precisa de mais espontaneidade” e vincou que a sua inexperiência “é a mais alta qualificação para governar”.

No debate entre todos os candidatos, realizado na RTP no dia 6 de janeiro, à pergunta do moderador, Carlos Daniel: "Qual foi a coisa mais séria que disse que não o levaram a sério?", o pintor e músico respondeu que: "Das coisas mais sérias de que falei foi do direito à felicidade ser inscrito na constituição, é uma coisa bastante séria. A felicidade é aquilo que nos faz estar verticais. Queria só deixar aqui ao eleitorado uma coisa que é: só desisto se for eleito". O posicionamento foi sintetizado no slogan final: “Vota Vieira, vota na felicidade”.

Sobre a motivação da candidatura, Manuel João Vieira explicou no podcast que o projeto visa abalar o comodismo da população, descrevendo-o como “um grito de revolta e de alerta”, mesmo que esse grito seja “hiper estúpido”. A ideia é provocar reflexão sobre a política e o papel do cidadão, utilizando a sátira como instrumento crítico e pedagógico.

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