Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

Luís Montenegro falava no Porto, durante a inauguração da nova sede da Direção Executiva do SNS, onde defendeu que, apesar da ideia generalizada de “caos”, os indicadores mostram uma realidade diferente, sublinhando que os tempos de espera nas urgências hospitalares são atualmente “os melhores dos últimos cinco anos”.

“Nós somos todos os dias confrontados com uma perceção de caos, de crise, de problema permanente. Eu não quero, com isto, diminuir os casos na base dos quais esta perceção é criada. O que eu tenho a obrigação, em nome também dos prestadores de serviços, dos profissionais, é dizer que, felizmente para todos nós, isso não é a realidade que os tais mais de 150 mil atos diários dos profissionais do SNS enfrentam todos os dias”, afirmou o chefe do Governo.

Montenegro alertou para o risco das generalizações e destacou que, mesmo num contexto de “nível de adversidade sem comparação” com anos anteriores, os tempos de espera em 2025 são mais baixos do que em qualquer um dos últimos cinco anos. “São os melhores do ponto de vista do desempenho. Repito, isto não é motivo para nós estarmos satisfeitos porque nós podemos melhorar ainda mais”, disse.

O primeiro-ministro deixou ainda elogios à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, destacando a sua “competência e resistência notáveis”, e apontou alguns dos principais constrangimentos que o SNS enfrenta, nomeadamente a saída de profissionais qualificados para o estrangeiro e o aumento significativo da procura de cuidados de saúde.

Segundo explicou, o crescimento do número de utentes está diretamente ligado ao aumento da população residente em Portugal, em grande parte impulsionado pelos fluxos migratórios dos últimos anos — um desafio que, reconheceu, o SNS não estava preparado para enfrentar com esta dimensão.

O que dizem os números?

Quase 1 milhão de utentes aguardavam por uma primeira consulta em hospitais públicos no final do primeiro semestre de 2025, com mais de 56% a ultrapassar os prazos máximos legais de resposta (TMRG), segundo dados da Entidade Reguladora da Saúde.

Em algumas especialidades, como cardiologia ou ginecologia, utentes prioritários enfrentam esperas que chegam a centenas de dias, e há casos que ultrapassam dois anos, de acordo com os dados do portal do SNS.

Um estudo da DECO PROteste, publicado em fevereiro de 2025, indica ainda que mais de 50% das consultas não urgentes com médicos de família implicam uma espera de pelo menos um mês, e 31% ultrapassam dois meses. A situação mostra um agravamento face a 2019.

Um quarto dos utentes desconhece a existência de prazos legais e muitos relatam agravamento da saúde enquanto aguardam atendimento, evidenciando um descompasso entre a perceção de desempenho do SNS e a experiência concreta da população.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.