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A Polícia Judiciária identificou um menor de apenas 14 anos como o presumível autor de vários incêndios florestais que afetaram de forma persistente as freguesias de Seidões, Ardegão e Arnozela, no concelho de Fafe, durante os últimos quatro verões. A informação foi avançada esta quinta-feira, em comunicado oficial da PJ, que revelou que o jovem “confessou os factos”.
De acordo com a investigação, levada a cabo pelo Departamento de Investigação Criminal de Braga em articulação com o Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições em Espaço Rural – Litoral Norte, o menor atuava sozinho ou, por vezes, em grupo, motivado por um contexto de revolta e frustração, relacionado com fraco rendimento escolar e relações sociais precárias.
Segundo a Judiciária, os incêndios eram iniciados por chama direta, recorrendo o adolescente a fósforos para atear fogo em zonas florestais de elevado risco de propagação. Este verão, a ação do menor intensificou-se, sendo que em várias ocasiões regressava a casa de trotinete após provocar os incêndios, onde se escondia das autoridades.
As localidades afetadas estiveram sob pressão constante, com ocorrências quase diárias em algumas semanas, o que levou à mobilização intensiva dos meios de proteção civil e gerou preocupação nas populações locais. Vários hectares de floresta foram destruídos.
"Os vários locais onde os incêndios ocorreram situam-se em zonas com elevado potencial de propagação a manchas florestais de grandes dimensões, gerando assim enormes riscos, potencialmente agravados pela abundante carga combustível ali existente e pela própria orografia da região", sublinha o comunicado da PJ.
A recolha de provas permitiu reunir um sólido acervo probatório que conduziu à identificação e interpelação do adolescente, já sob alçada do Ministério Público, que encaminhará o processo para o Tribunal de Família e Menores.
Quase 100 detidos por incêndios florestais em 2025
Este caso junta-se a uma preocupante tendência: quase 100 suspeitos de incêndio florestal foram detidos em Portugal só este ano, número já próximo das 99 detenções registadas em todo o ano de 2024, avança a SIC Notícias.
Entre os mais recentes detidos estão dois jovens de 20 e 23 anos na Lousã, e um adolescente de 15 anos em Ermesinde, surpreendido por um morador enquanto ateava fogo numa zona de arvoredo.
Segundo dados das autoridades, os incendiários detidos são maioritariamente homens entre os 20 e os 40 anos, frequentemente com histórico de doenças psiquiátricas e alcoolismo. Atualmente, mais de 40 pessoas estão a cumprir pena por incêndio florestal e 24 encontram-se internadas em unidades de saúde mental. Cerca de 40 outras aguardam julgamento em prisão preventiva.
A Justiça e as autoridades reiteram o alerta para a gravidade deste tipo de crime, cujas consequências ambientais, humanas e económicas são devastadoras, e que exige resposta firme e acompanhamento psicológico, especialmente nos casos mais jovens.
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