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O acidente ocorreu a 30 de agosto de 2024, quando um helicóptero de combate a incêndios, pertencente ao Centro de Meios Aéreos de Armamar, caiu no Douro, em Cambres, concelho de Lamego, durante o regresso de uma missão cancelada em Baião. A bordo seguiam seis pessoas: o piloto e cinco militares da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR. Apenas o piloto sobreviveu.
Segundo o GPIAAF, a aeronave, um modelo AS350 Écureuil, operado pela empresa HTA Helicópteros, voava a uma altitude extremamente baixa e em alta velocidade sobre o vale do Douro, sem qualquer justificação operacional. A investigação destaca que estas manobras arriscadas eram uma prática “normalizada” entre pilotos e equipas helitransportadas, muitas vezes com o objetivo de sobrevoar zonas paisagísticas.
“O relaxar dos procedimentos e a aceitação generalizada de desvios à rota direta de regresso à base, incluindo voos a baixa altitude sem motivo de missão, contribuíram para o acidente”, conclui o relatório, citado pelo Correio da Manhã. A investigação revela ainda que o próprio piloto já tinha realizado voos semelhantes duas semanas antes, violando novamente a altitude mínima exigida. Uma dessas ocasiões foi filmada e usada como prova.
O piloto, de 46 anos, foi constituído arguido no âmbito de uma operação levada a cabo pela Polícia Judiciária em Vila Real. Encontra-se agora indiciado por homicídio negligente e condução perigosa, tendo-lhe sido aplicadas as medidas de coação de suspensão de funções e proibição de contacto com testemunhas do inquérito.
O GPIAAF responsabiliza ainda a Força Aérea Portuguesa, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e a própria empresa operadora por falta de supervisão adequada. Nenhuma destas entidades terá detetado ou sinalizado os desvios sistemáticos à operação.
As vítimas do acidente, militares da GNR com idades entre os 29 e os 45 anos, encontravam-se a bordo no momento da queda, tendo quatro sido resgatados sem vida e um permanecendo inicialmente desaparecido. O piloto foi salvo com vida, tendo sofrido fraturas, e resgatado por uma embarcação de recreio. A aeronave partiu-se em duas partes e afundou-se a cerca de seis metros de profundidade.
A tragédia levou à declaração de um dia de luto nacional e levantou sérias questões sobre a segurança e supervisão dos voos de combate a incêndios em Portugal. A investigação permanece em curso, envolvendo várias entidades, incluindo a GNR, a ANEPC, a FAP e a ANAC.
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