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A prova de Berlim é considerada uma major, isto é faz parte do grupo de maratonas que integram a série Abbott World Marathon Majors (AbbottWMM): Tóquio, Boston, Londres, Sydney, Berlim, Chicago e Nova Iorque. Estes são os eventos de maior prestígio do calendário mundial, reconhecidos pelos elevados padrões de organização, nível competitivo e tradição. Concluir as seis maratonas originais da série dá direito à Six Star Medal, uma das distinções mais cobiçadas no mundo da corrida de longa distância.

Harry Styles já vai na segunda depois de ter voltado a surpreender ao participar este domingo, 21 de setembro, com uma aparição na Maratona de Berlim. O cantor britânico, de 31 anos, completou os 42,195 quilómetros em 2 horas, 59 minutos e 13 segundos, conseguindo pela primeira vez terminar uma maratona abaixo das três horas e superando a sua marca pessoal alcançada em março, na Maratona de Tóquio, onde terminou em 3h24.

Inscrito sob o pseudónimo “Sted Sarandos”, correu de óculos escuros e bandana para tentar passar despercebido, foi rapidamente reconhecido pelos fãs, que o incentivaram e aplaudiram durante todo o percurso. Apesar da exigência da prova, Styles manteve boa disposição, distribuindo sorrisos, e cruzou a meta na 2241.ª posição.

Coincidentemente, este foi exatamente o mesmo tempo com que o ator português Tiago Teotónio Pereira cruzou a meta em Berlim. Nos últimos anos o ator tem-se dedicado à corrida e ao triatlo, tendo inclusive treinado com o ex-atleta profissional Lino Barruncho para os IRONMAN, que terminou pela primeira vez depois do nascimento da filha.

Numa entrevista o ator português já tinha contado que começou a correr durante a pandemia, definiu como primeiro objetivo correr 10 km em menos de 40 minutos, o que alcançou na São Silvestre de 2021, na mesma conversa com a NiT disse treinar todos os dias, acumulando 12 a 16 horas semanais, alternando corrida, ciclismo e natação. E chegou a considerar a maratona mais dura que o IRONMAN, por exigir esforço máximo durante três horas, enquanto o triatlo longo, apesar das 11 horas, permitindo gerir ritmos.

Disciplina dedicação costuma ser as qualidades que os atletas destas distância mais referem. Harry Styles, por exemplo, aproveita esses treinos para ser melhor na no palco. Para manter a energia exigida pelas longas digressões e concertos, o artista inclui corridas regulares no seu treino, muitas vezes adaptadas às cidades onde está em digressão. O seu personal trainer, Thibo David, revelou à revista americana Coach que o cantor consegue correr 1,6 km em apenas cinco minutos, destacando o nível de disciplina e compromisso do artista. Desde a maratona mundial de concertos “Love on Tour”, em 2023, que contou com 173 espetáculos em cinco continentes, a preparação física do músico tem sido orientada sobretudo para resistência e prevenção de lesões.

Além da corrida, Harry Styles pratica Pilates há mais de uma década, uma disciplina que, segundo confessou, o ajuda a manter postura, equilíbrio e condicionamento físico. Desde o sucesso do álbum Harry’s House, que lhe valeu um Grammy em 2023, não lançou novo material discográfico, embora tenha continuado ativo com concertos e participações no cinema, o que alimenta especulações sobre um possível novo álbum no horizonte. Na meta em Berlim, o cantor posou ao lado de Richard Whitehead, atleta paralímpico britânico bicampeão olímpico nos 200 metros, que mais tarde partilhou a fotografia nas redes sociais.

Os vencedores 

O queniano Sebastian Sawe venceu este domingo a Maratona de Berlim, terminando isolado em 2h02m16s, o melhor tempo do ano, mas sem conseguir bater o recorde do percurso (2h01m09, de Eliud Kipchoge em 2022). Sawe chegou com larga vantagem sobre os adversários: mais de quatro minutos à frente do japonês Akira Akasaki e 4 minutos e meio antes do etíope Chimdessa Debele.

Na prova feminina, a também queniana Rosemary Wanjiru foi a vencedora, concluindo em 2h21m05, ligeiramente à frente da etíope Dera Dida.

As temperaturas anormalmente altas para setembro em Berlim — até 24 ºC durante a corrida — dificultaram a tentativa de recorde. Sawe passou a meia maratona em 1h00m16, já sem a maior parte dos seus marcadores de ritmo, e correu os últimos 19 km praticamente sozinho, acabando por abrandar devido ao calor.

Apesar do desgaste, mostrou-se feliz: “Dei o meu melhor, estou muito contente. Volto para o ano”, afirmou à Associated Press. Na cerimónia de pódio, os três primeiros receberam canecas gigantes de cerveja sem álcool.

A prova contou com 55 mil participantes e medidas de segurança reforçadas, com mais de 800 polícias destacados e comissários em bicicleta junto dos líderes para evitar interrupções. Nos últimos anos, a maratona já tinha sido alvo de protestos de ambientalistas devido ao patrocínio da BMW.


Uma maratona sempre com surpresas

O ano passado a Maratona de Berlim ficou marcada pela participação de Günter Hallas, de 84 anos, que completou a prova em 7h02m33s, alcançando o 14.º lugar na categoria acima dos 80 anos. Hallas foi o vencedor da primeira edição da maratona, em 1974, quando ainda havia apenas 286 inscritos, terminando então com o tempo de 2h44m53s numa cidade ainda dividida pelo Muro.

2024 marcou a sua 43.ª participação em Berlim e o momento ganhou especial simbolismo por coincidir com o 50.º aniversário da prova. Na meta, junto à Porta de Brandemburgo, foi aplaudido e entrevistado ao lado de Jutta von Haase, vencedora da primeira edição feminina. “Não treinei muito, sofri um pouco, mas consegui chegar graças ao apoio dos amigos ao longo do percurso”, disse Hallas.

A Maratona de Berlim tornou-se, entretanto, uma das mais rápidas e prestigiadas do mundo, sendo palco de 13 recordes mundiais — entre eles, o de Christa Vahlensieck em 1977 (2h34m48s), Tegla Loroupe em 1999, Naoko Takahashi em 2001 e Tigst Assefa em 2013. No setor masculino, o primeiro recorde foi de Ronaldo da Costa, em 1998, com 2h06m05s, seguido pelas marcas históricas de grandes nomes africanos como Paul Tergat, Haile Gebrselassie, Patrick Makau, Wilson Kipsang, Denis Kipruto e Eliud Kipchoge.

Apesar de uma operação ao joelho e de ter uma prótese na anca, Hallas passou aos 10 km em 1h24 e à meia maratona em 3h09, números notáveis para a sua idade.

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